A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), estatal que detém o controle da Eletronuclear, enfrenta um cenário de pressão financeira que pode exigir um aporte direto do Tesouro Nacional até o ano de 2027. A informação foi oficialmente incluída no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado recentemente pelo Governo Federal ao Congresso Nacional. O documento destaca que a situação econômico-financeira da Eletronuclear — responsável pela operação das usinas Angra 1 e 2, além da complexa construção de Angra 3 — apresenta riscos que demandam monitoramento constante por parte da equipe econômica.
O gargalo financeiro é agravado por dois fatores críticos: a necessidade premente de investimentos para a extensão da vida útil da usina Angra 1 e as incertezas profundas que ainda pairam sobre a conclusão das obras da usina Angra 3. O texto do PLDO ressalta que o descasamento temporal entre os investimentos vultosos exigidos agora e a geração de receitas futuras, projetada para o longo prazo, mantém o risco fiscal no radar do governo. Embora a gestão afirme que a materialização de tal necessidade dependerá de futuras decisões de política pública setorial e da modelagem definitiva do empreendimento nuclear, a situação impõe um alerta sobre a sustentabilidade operacional da companhia.
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Atualmente, a Eletronuclear enfrenta um custo anual de manutenção de Angra 3 que supera a marca de R$ 1 bilhão, valor considerado insustentável para a saúde financeira da empresa sem uma definição clara por parte do governo. Alexandre Caporal, presidente interino da estatal, tem alertado reiteradamente sobre o esgotamento do caixa, comparando a fragilidade da companhia à crise vivida pelos Correios. A estrutura societária da Eletronuclear, que hoje conta com a participação da Âmbar Energia (do grupo J&F) — detentora de cerca de 36% do capital votante após a reorganização concluída em 2025 —, adiciona complexidade à gestão dos passivos e das debêntures vinculadas ao projeto nuclear.
Além do caso da Eletronuclear, o cenário macroeconômico das estatais federais é motivo de atenção, com a divulgação de déficits sucessivos nos últimos anos, conforme dados do Banco Central. O PLDO também traz reflexões sobre a situação da Infraero, que, embora não precise de aportes imediatos, observa uma redução constante na sua receita líquida devido à perda da administração de diversos aeroportos para o setor privado. O governo enfatiza que a sustentabilidade de longo prazo dessas empresas depende de medidas estruturais eficazes, evitando que as oscilações de caixa se transformem em obrigações fiscais indesejadas para os cofres públicos nacionais.






