Um voo executivo realizado em abril de 2025, que trouxe autoridades de alto escalão do Congresso Nacional de volta de um paraíso fiscal no Caribe, tornou-se o centro de uma complexa investigação conduzida pela Polícia Federal e agora sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). A aeronave transportava figuras centrais da política brasileira, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acompanhados por outros parlamentares. Contudo, o que chamou a atenção das autoridades foi a presença, na mesma lista de 16 passageiros, de Fernando Cavendish, empresário condenado por corrupção e figura central na histórica operação Lava Jato no Rio de Janeiro.
A trajetória de Cavendish, ex-dono da empreiteira Delta, é marcada por escândalos que desviaram centenas de milhões de reais dos cofres públicos. O empresário, que ganhou notoriedade nacional ao aparecer na controversa "farra dos guardanapos" em Paris, atuou como delator após ser condenado por esquemas de propina envolvendo ex-gestores públicos. A presença de um condenado de tal envergadura ao lado de líderes do Legislativo brasileiro levanta questionamentos profundos sobre a natureza das relações entre o poder político e o setor de infraestrutura, especialmente quando estas interações ocorrem em contextos de viagens a regiões de tributação favorecida.
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A investigação ganhou contornos mais graves quando o voo aterrissou no Aeroporto Catarina, em São Paulo. A Polícia Federal apura a conduta de um auditor da Receita Federal que teria permitido o desembarque das bagagens sem a devida inspeção de raio-X. O inquérito busca identificar o conteúdo dos itens transportados e as responsabilidades dos envolvidos. Como a lista de passageiros inclui parlamentares com foro privilegiado, o processo foi remetido ao STF, sendo sorteado como relator o ministro Alexandre de Moraes, que agora aguarda o posicionamento da Procuradoria-Geral da República sobre o prosseguimento das diligências.
Além da presença de Cavendish, o voo levanta suspeitas por ser operado por Fernando Oliveira Lima, empresário ligado ao setor de apostas online e anteriormente questionado em CPIs. Até o momento, os parlamentares envolvidos não prestaram esclarecimentos oficiais sobre a logística da viagem ou a relação com os demais passageiros. A Polícia Federal reforça que a falta de fiscalização adequada pode configurar crimes como prevaricação ou facilitação de descaminho, e o caso permanece sob sigilo de inquérito, aguardando novas perícias para determinar se houve o transporte de materiais ilícitos na aeronave que desembarcou em solo paulista.






