O bilionário Elon Musk, figura central no desenvolvimento da inteligência artificial moderna, confirmou nesta quinta-feira (30) que a sua empresa de tecnologia, a xAI, recorreu a tecnologias da OpenAI para aprimorar o sistema de IA Grok. A declaração foi feita durante um depoimento em um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, no âmbito do complexo processo judicial que Musk move contra a OpenAI desde 2024. O caso tem atraído a atenção global, colocando em xeque as trajetórias de duas das organizações mais influentes do setor tecnológico atual.
Durante a sabatina conduzida por William Savitt, advogado da OpenAI, Musk foi questionado especificamente sobre o uso da técnica de "destilação de modelos" — um método em que dados de um modelo de IA mais robusto são utilizados para treinar um sistema menor. Após uma hesitação inicial, o empresário admitiu que a prática foi adotada pela xAI. Embora tenha justificado que "todas as empresas de inteligência artificial realizam procedimentos similares para validação", a confissão adiciona um novo capítulo à disputa, na qual Musk acusa a OpenAI de ter abandonado sua missão original em prol de interesses puramente comerciais e financeiros.
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A base do litígio reside na alegação de Musk de que a OpenAI, sob a liderança de Sam Altman e Greg Brockman, traiu o compromisso inicial de atuar como uma entidade sem fins lucrativos focada no benefício da humanidade. O empresário, que investiu cerca de 38 milhões de dólares na empresa entre 2016 e 2020, exige agora uma indenização de 150 bilhões de dólares, além da reversão da estrutura da empresa para o modelo original sem fins lucrativos e a remoção da atual gestão. Em contrapartida, a OpenAI defende que as acusações de Musk são movidas por um sentimento de frustração pessoal e ciúmes, motivados pelo sucesso estrondoso do ChatGPT e pelo desejo do bilionário de fortalecer a própria empresa, a xAI, perante uma concorrente direta.
O conflito também revela detalhes históricos sobre a fundação da OpenAI, descrita inicialmente por Altman como o "Projeto Manhattan da IA". Documentos internos citados no tribunal expõem que as tensões entre os fundadores já existiam desde 2017, culminando na saída de Musk do conselho da empresa em 2018. Enquanto a OpenAI se prepara para uma possível abertura de capital com uma avaliação superior a 850 bilhões de dólares, o desfecho desta batalha judicial promete definir não apenas os rumos das empresas envolvidas, mas também os padrões éticos e operacionais de todo o setor de inteligência artificial global.






