A trajetória de Ruan Nolasco Cardoso é um reflexo direto de uma mudança de paradigma no Espírito Santo: a ascensão da economia azul. Proprietário de uma empresa de turismo náutico na Grande Vitória, Ruan encontrou no oceano não apenas uma tradição herdada de seu avô pescador e de seu pai, que trabalhou décadas em navios, mas uma oportunidade de negócio sustentável. Criada em 2017, a empresa 'Capitão Grilo' é um exemplo de como o empreendedorismo aliado ao conhecimento técnico pode valorizar a biodiversidade local, transformando o mar em um ativo econômico capaz de sustentar gerações futuras através de passeios náuticos e educação ambiental.
O impacto dessa atividade ganha proporções significativas entre junho e outubro, quando o litoral capixaba recebe milhares de baleias-jubarte em busca de águas quentes para reprodução. Esse fenômeno natural, que antes era apenas observado à distância, tornou-se o motor de uma cadeia produtiva vibrante. Hotéis, restaurantes, guias turísticos e artesãos – como a designer Erani de Oliveira Castro, que viu suas vendas crescerem 90% com produtos inspirados na fauna marinha – encontram na presença desses cetáceos uma fonte direta de renda, provando que a conservação ambiental é, acima de tudo, um excelente negócio.
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A profissionalização do setor tem sido um pilar central para o sucesso deste modelo. Por meio de parcerias estratégicas, como a realizada com o Sebrae e o Hub Científico Jubarte.Lab, profissionais do setor recebem capacitações constantes sobre biologia marinha e técnicas de abordagem responsável. O rigor científico, com uso de drones e monitoramento em tempo real, garante que a atividade ocorra com o mínimo de interferência possível, respeitando normas rígidas como a distância mínima de segurança e o tempo limite de observação. Para o ambientalista Thiago Ferrari, do projeto Amigos da Jubarte, o que vemos hoje é uma transformação histórica: o animal, antes caçado para o consumo, agora é protegido e valorizado por sua presença viva.
Os resultados financeiros e sociais são expressivos. Em 2025, o Festival da Baleia movimentou cerca de R$ 250 mil em receita direta para o comércio local, enquanto centenas de profissionais foram certificados para atuar no turismo de observação. Esse fluxo de visitantes durante o segundo semestre ajuda a combater a sazonalidade típica do setor hoteleiro, tornando o Espírito Santo um destino referência em ecoturismo internacional. Mais do que um simples passeio, a observação de baleias consolidou-se como uma estratégia de desenvolvimento regional que une ciência, preservação e prosperidade econômica, garantindo que o mar continue sendo uma fonte inesgotável de vida e sustento.






