Circula amplamente nas redes sociais um vídeo que utiliza imagens de um protesto de motoboys para afirmar, de maneira enganosa, que se trata de uma manifestação da categoria contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e supostos novos impostos. O conteúdo, compartilhado por diversos perfis no X (antigo Twitter) e no Facebook, alega que os entregadores estariam revoltados com medidas governamentais sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos. No entanto, a informação é falsa e descontextualiza um evento ocorrido meses atrás.
Na realidade, o registro visual em questão é verdadeiro, mas não foi gravado em um contexto político de oposição ao governo federal. As imagens datam do dia 26 de janeiro deste ano e documentam um protesto legítimo realizado por entregadores no Rio de Janeiro. A motivação da categoria, naquele momento, era exigir segurança pública e justiça após a morte de dois profissionais da classe, assassinados durante o exercício de suas funções em um intervalo de menos de uma semana. O vídeo foi editado para suprimir trechos em que os manifestantes citavam o Palácio Guanabara, sede do governo estadual fluminense, como destino do protesto por segurança.
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A confusão que deu origem à narrativa mentirosa está ligada à discussão recente sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que visa a regulamentação do trabalho por aplicativos. A desinformação tenta vincular a insatisfação com a proposta de remuneração mínima por entrega a uma onda de protestos inexistente contra Brasília. É importante esclarecer que o debate sobre a remuneração mínima — com valores sugeridos de R$ 8,50 a R$ 10,00 — trata-se de uma política de ganhos para a categoria e não de uma taxação adicional sobre os trabalhadores, como sugerem as postagens virais.
A equipe de checagem ressalta que o vídeo original foi publicado por lideranças de motoboys do Rio de Janeiro em janeiro, focando exclusivamente na onda de violência que vitimou trabalhadores na Zona Oeste e Zona Norte da capital. Portanto, a manipulação de conteúdo antigo para servir a pautas políticas atuais configura desinformação, prejudicando o debate público sério sobre a regulamentação da categoria e os direitos dos entregadores. Recomenda-se sempre verificar a fonte e a data de conteúdos que circulam em redes sociais antes de qualquer compartilhamento.






