O cenário das redes sociais brasileiras tem sido palco de um fenômeno disruptivo que desafia tanto a Justiça Eleitoral quanto as estruturas tradicionais de comunicação política. Trata-se de "Dona Maria", um avatar gerado por Inteligência Artificial (IA) que, com uma estética de mulher negra e idosa, conquistou milhões de seguidores ao disseminar críticas contundentes contra o governo Lula, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a classe política tradicional. O perfil, que utiliza linguagem coloquial e tons agressivos para capturar a atenção do algoritmo, exemplifica como a tecnologia de baixo custo pode ser empregada para moldar a opinião pública e gerar engajamento em escala massiva.
A ascensão de personagens como Dona Maria levanta questões cruciais sobre a manipulação do discurso público. Com vídeos que atingem marcas superiores a 8 milhões de visualizações, a personagem opera em uma zona cinzenta: não é uma pessoa real, mas estabelece uma conexão afetiva com o espectador, que muitas vezes ignora a natureza sintética da imagem. Essa capacidade de mimetizar a indignação popular torna o conteúdo altamente viral, consolidando um espaço de influência que rivaliza com perfis de políticos de destaque nacional, como senadores e deputados federais, sem a necessidade de grandes estruturas de marketing ou financiamento partidário.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
O criador do perfil, um motorista de aplicativo que utiliza ferramentas acessíveis como o Gemini e o ChatGPT para a confecção do material, afirma que o uso da IA é apenas uma estratégia para expressar revolta com a situação econômica do país. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já foi acionado por partidos políticos, incluindo o PT, que buscam a suspensão dessas contas. A preocupação central dos especialistas em direito e tecnologia reside no potencial dessas ferramentas para espalhar desinformação de forma incontrolável durante o período eleitoral. Diferente de uma campanha convencional, o conteúdo gerado por IA pode ser distribuído anonimamente e em volumes gigantescos, tornando a responsabilização jurídica uma tarefa complexa para os órgãos de fiscalização.
Para cientistas políticos, o impacto de Dona Maria vai além da desinformação factual; trata-se da construção de uma narrativa baseada no "ódio como motor de mobilização". Ao naturalizar a indignação, esses perfis conseguem capturar o descontentamento de parcelas da população e canalizá-lo contra alvos específicos. Com o barateamento da tecnologia, a barreira de entrada para produzir desinformação profissional caiu drasticamente, sugerindo que 2026 será um ano desafiador para a democracia brasileira, exigindo tanto vigilância institucional quanto um papel mais ativo das plataformas digitais na rotulagem e moderação de conteúdos sintéticos que visam interferir no pleito democrático.






