Documentos internos obtidos pela apuração jornalística revelam que o Banco de Brasília (BRB) enfrentou uma série de obstáculos e falta de transparência ao tentar auditar operações junto ao Banco Master ao longo de 2025. Relatórios datados de abril e maio do mesmo ano detalham como a instituição financeira paulista, que teve seu proprietário Daniel Vorcaro preso e o banco liquidado pelo Banco Central, adotou uma postura evasiva diante de cobranças formais sobre carteiras de crédito relacionadas ao produto CredCesta, voltado para servidores públicos e pensionistas.
A análise documental indica que o BRB detectou inconsistências graves, incluindo falhas na documentação, dificuldades de rastreabilidade de contratos e divergências significativas nos repasses financeiros. Em um dos episódios críticos, técnicos do BRB apontaram uma inadimplência inesperada, superior às previsões contratuais, devido à omissão de parcelas essenciais nos arquivos de dados enviados pelo Master. A tentativa de resolução amigável, que incluía auditorias técnicas e reuniões presenciais, foi sistematicamente frustrada por sucessivos pedidos de adiamento e pela ausência de entrega de documentos fundamentais.
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Durante as visitas técnicas realizadas em São Paulo, o grupo de trabalho do BRB constatou que a gestão do Master operava de forma precária, utilizando planilhas manuais para o controle de operações bilionárias, o que impedia a conciliação precisa dos valores. Mais alarmante ainda foi a descoberta, durante a segunda inspeção, de que grande parte das carteiras de crédito adquiridas pelo BRB não tinham origem no próprio Banco Master, mas sim em uma empresa chamada Tirreno, fundada poucos meses antes da transação. Esta prática levantou suspeitas sobre a solidez dos ativos, com investigações sugerindo que o Master comercializava créditos sem lastro ou garantias financeiras adequadas.
A sequência de eventos, que culminou com a tentativa frustrada do BRB de adquirir 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões, coloca em evidência a fragilidade operacional do banco liquidado. O BRB, em seus relatórios, formalizou diversas vezes a preocupação com a postura do parceiro, que não apenas declinava de reuniões essenciais, mas também demonstrava desconhecimento profundo sobre a origem e a validade dos próprios produtos que ofertava. O caso segue como um dos focos de análise das autoridades financeiras, que buscam compreender como R$ 12 bilhões em carteiras supostamente "podres" foram integrados ao fluxo de negócios entre as duas instituições antes do colapso do Banco Master.






