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Disputa pelo Governo de Pernambuco segue aberta apesar da vantagem inicial de João Campos

Por Redação Arcoverde Agora
Disputa pelo Governo de Pernambuco segue aberta apesar da vantagem inicial de João Campos

Pesquisas recentes sobre a sucessão estadual em Pernambuco indicam que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), larga na frente na corrida pelo Governo do Estado, mas o cenário ainda está longe de uma definição antecipada. Levantamento da Genial/Quaest, realizado em agosto de 2025, aponta João Campos com 55% das intenções de voto, percentual que, em tese, garantiria vitória em primeiro turno. A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece na segunda colocação, com 24%.

Já a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, feita no final de dezembro, mostra um quadro de maior aproximação. No cenário 1, João Campos tem 53,1%, enquanto Raquel Lyra alcança 31%. Em comparação com o levantamento de agosto do mesmo instituto, o prefeito perdeu 3,9 pontos percentuais, enquanto a governadora cresceu 7 pontos, sinalizando uma tendência de recuperação.

Para o cientista político Thales Castro, o quadro eleitoral “está longe de ser uma vitória antecipada para qualquer um dos lados”. Segundo ele, embora João Campos siga competitivo, a governadora dispõe da força da máquina estadual e de instrumentos políticos que podem favorecer uma reação ao longo do processo.

Entre os trunfos de Raquel Lyra, Castro destaca a migração do PSDB para o PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, o que amplia sua capacidade de articulação. “Para ser qualificada como governadora, ela precisa ser uma excelente articuladora”, afirma o especialista, ressaltando ainda o poder de caneta, maior acesso à mídia institucional e à verba pública. O analista também avalia que Raquel fez o “dever de casa” ao firmar alianças com prefeituras estratégicas, especialmente no Agreste Meridional e Central, apoiando-se em sua trajetória como ex-prefeita de Caruaru.

Do outro lado, João Campos mantém como ativo político o capital simbólico da família Arraes. “João Campos tem, além do carisma natural, o conhecimento do DNA histórico, familiar, da política, desde o doutor Miguel Arraes, passando pelo saudoso Eduardo Campos”, destaca Castro. Além disso, o prefeito conta com forte presença nas redes sociais e elevada capilaridade política em Pernambuco.

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Principais desafios

Um ponto sensível para a governadora é a avaliação de entregas do governo estadual, sobretudo na Região Metropolitana do Recife (RMR). Segundo o cientista político, “com relação a Raquel e as suas entregas, ou melhor, as suas ‘não entregas’, isso é um fator que tem pesado muito”. Ele cita como exemplos obras ainda paralisadas ou sem conclusão visível, como a Escola de Gastronomia, próxima ao Tacaruna e ao Centro de Convenções, e o Liceu de Artes e Ofícios da Universidade Católica, na Praça da República.

Castro também lembra que uma das principais obras apresentadas no início da gestão, a triplicação da BR-232 até a BR-408, foi iniciada ainda no governo Paulo Câmara. Para ele, a estratégia de apostar na reeleição como forma de concluir projetos pode ser arriscada, já que o calendário eleitoral limita ações administrativas, restando apenas o primeiro semestre de 2026 para destravar promessas.

João Campos, por sua vez, também enfrenta desafios. Apesar das alianças firmadas em cidades estratégicas, como Petrolina, o prefeito precisa lidar com a perda de força narrativa nas métricas digitais. Dados do Instituto de Inteligência, em parceria com a Ativaweb, indicam que João Campos, mesmo com uma base robusta de 2,932 milhões de seguidores, teve recuo de 1,6%, enquanto Raquel Lyra cresceu 3,5%, chegando a 1,118 milhão. Ambos disputam especialmente o eleitorado feminino entre 25 e 34 anos, faixa em que apresentam maior fidelização.

Palanque pode ser duplo

Outro fator relevante para 2026 é o posicionamento do presidente Lula (PT). Segundo Thales Castro, Raquel Lyra encontra-se “emparedada” politicamente, e Lula pode optar por um palanque duplo em Pernambuco, apoiando tanto Raquel quanto João Campos. Situação semelhante ocorreu em 2006, quando o presidente apoiou simultaneamente Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.

Castro avalia que medidas do governo federal, como redução de tarifas e acordos internacionais, beneficiam cadeias produtivas do estado, e a governadora tenta capitalizar esses avanços para reduzir seu isolamento político. No entanto, ele pondera que João Campos construiu uma relação mais sólida com o Planalto. “A dependência que estados e municípios têm da União coloca Raquel em uma posição delicada, visto que o apoio do presidente Lula tende naturalmente ao PSB”, afirma.

Diante desse cenário, a disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026 permanece aberta, dinâmica e altamente influenciada por alianças políticas, entregas administrativas e pela relação com o governo federal.

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