O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, confirmou nesta quarta-feira (22) a decisão de retirar as credenciais de trabalho de um servidor dos Estados Unidos que atuava na sede da corporação em Brasília. A medida, tomada sob o princípio da reciprocidade diplomática, ocorre após o governo americano ordenar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que cumpria missão oficial em Miami. O episódio marca um momento de tensão nas relações de cooperação policial entre os dois países, gerado pelo desdobramento do caso envolvendo a prisão e posterior soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem em território norte-americano.
Segundo Andrei Rodrigues, a medida foi tomada com pesar, reforçando que o servidor americano deixará de ter acesso às instalações da PF em Brasília e aos bancos de dados compartilhados entre as polícias. O diretor-geral esclareceu, contudo, que a iniciativa não se confunde com uma expulsão sumária. A PF ressaltou que, embora o delegado brasileiro tenha sido instado a deixar os EUA após alegações de tentativa de contornar trâmites formais de extradição, o Brasil não adotará postura de hostilidade, mantendo os canais de diálogo com o Itamaraty para resolver a questão diplomática de forma formalizada.
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O impasse ganhou contornos mais amplos após o governo dos Estados Unidos acusar, sem citar nomes, uma autoridade brasileira de manipular o sistema imigratório para promover perseguições políticas. O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), foi o alvo dessa determinação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar o episódio durante agenda internacional, endossou a necessidade de responder à altura, caso ficasse comprovado qualquer abuso por parte das autoridades norte-americanas contra o policial brasileiro.
O caso de Alexandre Ramagem, preso em Orlando em abril de 2026 e liberado pouco depois para aguardar o processo de asilo em liberdade, tem sido o epicentro da controvérsia. Enquanto o ex-parlamentar argumenta que sua permanência é regular perante as leis dos EUA, o governo brasileiro busca o cumprimento da sentença do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Ramagem por tentativa de golpe de Estado. O Ministério das Relações Exteriores já convocou a representação diplomática dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos, evidenciando que a crise exige uma solução que preserve a soberania e os acordos de cooperação internacional entre Brasil e EUA.






