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Desigualdade salarial de gênero persiste no Brasil com diferença de 21,3% no setor privado

Por Redação Arcoverde Agora
Desigualdade salarial de gênero persiste no Brasil com diferença de 21,3% no setor privado

O mercado de trabalho brasileiro enfrenta um desafio estrutural persistente, conforme revelado pelo 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o levantamento, que analisou dados de cerca de 53 mil empresas com cem ou mais funcionários, as mulheres brasileiras recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado. O dado é preocupante, pois demonstra que, embora a participação feminina no mercado formal tenha registrado um crescimento expressivo de 11% desde 2023 — passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras —, a disparidade salarial não apenas se mantém, como apresenta uma tendência de leve alta ao longo dos últimos meses.

A série histórica analisada pelo MTE indica que a desigualdade tem demonstrado uma trajetória de crescimento desde o primeiro relatório. Em março de 2024, a diferença era de 19,4%, subindo progressivamente para os atuais 21,3% registrados em novembro de 2025. Enquanto a remuneração média mensal das mulheres situa-se em R$ 3.965,94, os homens ocupam patamares significativamente superiores, com média de R$ 5.039,68. Este abismo financeiro reflete um custo de oportunidade para o país: estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sugerem que o Brasil poderia ampliar sua economia em R$ 382 bilhões caso houvesse a implementação efetiva de políticas de equidade de gênero.

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O cenário torna-se ainda mais crítico quando analisado sob o prisma da interseccionalidade de raça. Mulheres negras ocupam a base da pirâmide salarial, recebendo, em média, R$ 3.026,66, um valor muito inferior aos R$ 6.560,02 registrados para homens não negros. Apesar de um aumento de 29% no número de mulheres negras empregadas no período, a estabilidade na desigualdade de renda indica que a inserção laboral não tem sido acompanhada por mecanismos de ascensão profissional e equiparação salarial. Setores como a indústria e a agropecuária figuram como os que apresentam as maiores distâncias remuneratórias, enquanto serviços e comércio mantêm índices ligeiramente menos severos.

Para mitigar essa realidade, o governo federal mantém em vigor a Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023, que impõe às empresas obrigações rigorosas de transparência, criação de canais de denúncia e programas de diversidade. Além disso, o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral, com vigência até 2027, busca coordenar esforços entre setor público e privado. Embora empresas tenham avançado na oferta de benefícios como auxílio-creche, jornada flexível e licenças estendidas, o MTE destaca que a resistência corporativa em promover ajustes salariais diretos permanece sendo a principal barreira para atingir a meta da equidade, prejudicando tanto a justiça social quanto o potencial de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para mais detalhes sobre as diretrizes da Lei de Igualdade Salarial e como empresas devem se adequar, consulte o portal oficial do Ministério do Trabalho e Emprego.

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