Vista panoramica da cidade de Arcoverde, PernambucoLogo Arcoverde Agora
Pernambuco

Deputadas Duda Salabert e Erika Hilton são incluídas indevidamente em álbum de suspeitos em Pernambuco

Por Redação Arcoverde Agora
Deputadas Duda Salabert e Erika Hilton são incluídas indevidamente em álbum de suspeitos em Pernambuco

Um caso de extrema gravidade chocou o cenário político e jurídico nacional após vir a público a informação de que as deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) tiveram suas fotografias incluídas em um álbum de reconhecimento de suspeitos de um crime de roubo. O procedimento foi realizado pela Polícia Civil de Pernambuco durante a investigação de um assalto a um aparelho celular, ocorrido em 24 de fevereiro de 2025, no bairro da Boa Vista, em Recife. A denúncia sobre o uso das imagens das parlamentares partiu da Defensoria Pública do Estado de Pernambuco (DPPE), que alertou as deputadas sobre a irregularidade técnica e discriminatória do ato.

A Defensoria Pública, em ofício encaminhado à 16ª Vara Criminal da Capital, enfatizou que o critério utilizado pela autoridade policial para a composição do álbum não seguiu os padrões exigidos pelo Código de Processo Penal. Segundo o documento assinado pela defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz, a seleção das imagens baseou-se exclusivamente no pertencimento das parlamentares a um grupo identitário de gênero e raça, e não em características físicas individualizadas que guardassem qualquer relação com a descrição fornecida pela vítima. Essa prática, segundo juristas, compromete a validade jurídica de toda a prova produzida no inquérito.

📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!

Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.

👉 Clique aqui e entre no nosso canal

Ao tomar conhecimento do fato, a deputada Duda Salabert formalizou um pedido de explicações junto à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, solicitando a imediata retirada de sua imagem e da deputada Erika Hilton de qualquer banco de dados ou materiais de investigação. Em sua manifestação, a parlamentar sublinhou que o episódio carrega fortes indícios de transfobia institucional, ao reforçar estigmas que associam indevidamente pessoas transexuais e travestis à criminalidade. A conduta é vista como uma tentativa de marginalização que coloca em xeque a imparcialidade técnica que deveria nortear os órgãos de segurança pública do Estado.

Por sua vez, a deputada Erika Hilton classificou o ocorrido como um ato de racismo e transfobia, reiterando que a utilização de figuras públicas em álbuns de suspeitos — sem qualquer nexo causal com o crime — é uma afronta inaceitável à dignidade. Hilton informou que está acionando instâncias superiores para garantir que o caso seja rigorosamente apurado. O Código de Processo Penal brasileiro é claro ao estabelecer que o reconhecimento deve ocorrer mediante a descrição prévia do suspeito pela vítima, colocando-o junto a outras pessoas que apresentem semelhanças físicas reais, o que foi flagrantemente ignorado neste inquérito em específico. Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não havia se pronunciado sobre o erro procedimental.

Tags:

Pernambuco,

Policia,

Politica,

Direitos

Humanos,

Recife

Site criado pela

logo