A deputada estadual Dani Portela (PT) denunciou ter sido vítima de agressão por parte de agentes da Polícia Militar durante o show de encerramento do São João do Recife, realizado na última segunda-feira (29), no Pátio de São Pedro. Segundo o relato da parlamentar, o incidente ocorreu enquanto ela tentava intervir em favor de uma mulher negra que havia sido agredida por um homem no meio da multidão. A situação, que deveria ser um momento de celebração cultural, transformou-se em um cenário de violência e tensão, levantando discussões urgentes sobre a abordagem policial e o combate ao racismo nas festividades públicas.
Conforme os relatos de Dani Portela e da ativista Lilian Araújo, coordenadora do Levante Popular da Juventude, a confusão teve início quando um homem, visivelmente alterado, passou a importunar pessoas ao seu redor. Ao tentar proteger as mulheres presentes, Lilian teria sido alvo de um soco no rosto desferido pelo agressor. A deputada descreveu que, ao chegar ao local para prestar socorro, deparou-se com uma ação policial que, em vez de conter o agressor, voltou-se contra as vítimas e os cidadãos que tentavam ajudar. Portela afirmou ter sido empurrada e recebido um tapa no peito pelos agentes, evidenciando o que classificou como uma falha estrutural na abordagem das forças de segurança.
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Em resposta à denúncia, a Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco emitiu uma nota oficial informando que, embora não tenha localizado registros formais imediatos sobre o ocorrido, determinou a instauração de um procedimento preliminar na Corregedoria Geral. O objetivo é verificar a conduta dos policiais envolvidos e analisar possíveis irregularidades administrativas. A SDS reiterou que seu canal de ouvidoria permanece à disposição da sociedade para denúncias de abusos de autoridade, disponibilizando atendimento pelo telefone e WhatsApp (81) 3184-2714, além do e-mail denuncia@corregedoria.sds.pr.gov.br.
A deputada destacou, contudo, o medo sentido pela população periférica em buscar justiça. Segundo ela, muitas testemunhas e vítimas preferiram não registrar boletim de ocorrência por receio de represálias, um reflexo do desamparo sentido diante de instituições de segurança. "Eu tenho voz, posso denunciar, mas e aquelas meninas que vão voltar para a favela? Ninguém se sente seguro", desabafou a parlamentar. O caso segue sob apuração e reacende o debate sobre a necessidade de maior preparo e humanização no policiamento de grandes eventos, garantindo que o direito de lazer e a integridade física dos cidadãos sejam efetivamente protegidos.






