Um episódio de profunda comoção e questionamentos sobre a eficiência dos órgãos públicos marcou a véspera da Sexta-feira Santa no Recife. Uma mulher, identificada posteriormente como tendo 55 anos, faleceu enquanto permanecia em um dos bancos do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), localizado na Zona Oeste da capital pernambucana. O caso, registrado na última quinta-feira (2), expôs uma lacuna preocupante no tempo de resposta das autoridades competentes para a remoção de cadáveres em locais de grande fluxo de pessoas.
De acordo com informações fornecidas pela concessionária Nova Mobi, responsável pela administração do terminal, a mulher — que apresentava características de uma pessoa em situação de rua — teria acessado as dependências do TIP por volta das 8h. Funcionários da unidade chegaram a realizar uma abordagem preventiva por volta das 10h, oferecendo auxílio, momento no qual a vítima teria recusado qualquer tipo de intervenção, afirmando que se sentia bem. Pouco mais de uma hora e meia depois, a equipe do terminal constatou que a mulher estava inconsciente, levando ao acionamento imediato do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
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O óbito foi confirmado pelo Samu às 12h10, dando início a uma espera que se prolongou por mais de seis horas. Somente às 18h30 o corpo foi recolhido pelo Instituto de Medicina Legal (IML). Durante todo esse período, passageiros que transitavam pelo terminal rodoviário conviveram com a cena, o que gerou críticas severas por parte da população e de entidades de direitos humanos. A Polícia Civil informou, por meio de nota oficial, que o caso foi registrado como “morte a esclarecer” pela Central de Plantões da Capital (Ceplanc) e que as diligências necessárias para determinar a causa do falecimento e as circunstâncias do ocorrido já foram iniciadas.
A Secretaria de Defesa Social (SDS), embora tenha sido procurada para prestar esclarecimentos sobre a notória demora na logística de remoção, não emitiu um posicionamento justificando o atraso ou detalhando os protocolos seguidos naquele momento específico. O caso reacende o debate sobre o protocolo de atendimento a pessoas em vulnerabilidade social em espaços públicos de Pernambuco e a necessidade de uma articulação mais célere entre as polícias, o IML e as equipes de assistência social, garantindo que situações de falecimento em áreas comuns sejam tratadas com a dignidade necessária e com a devida agilidade perante o público presente.






