A defesa da empresária Roberta Luchsinger apresentou, nesta quinta-feira (19), uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a veracidade de um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações sobre supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O documento em questão levanta suspeitas de uma possível conexão entre valores recebidos pela empresária e pagamentos realizados em benefício de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a apuração policial, teria havido o repasse de recursos para o custeio de viagens, o que a defesa categoricamente nega.
O ponto central da contestação reside na cronologia dos fatos. De acordo com o relatório da PF, Roberta teria efetuado pagamentos na ordem de R$ 641 mil a uma agência de viagens utilizada por ela e por Lulinha, exatamente no período em que recebeu aportes superiores a R$ 1 milhão provenientes de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Para os investigadores, esse cenário reforçaria a tese de que o dinheiro vindo do lobista estaria sendo direcionado ao filho do presidente. Contudo, em documento enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, os advogados de Luchsinger argumentam que o pagamento à agência ocorreu entre dezembro de 2023 e junho de 2024, enquanto o primeiro repasse do "Careca do INSS" teria sido registrado apenas em novembro de 2024.
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Diante da discrepância temporal apontada, a defesa classificou o relatório como baseado em uma "premissa falsa" e afirmou tratar-se de uma "tentativa enviesada, ilegal e frustrada de incriminar uma pessoa inocente". Os advogados sustentam seus argumentos em dados do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) emitido pelo Coaf. Questionada sobre as críticas da defesa, a Polícia Federal reiterou, por meio de nota, que não comenta investigações em curso, ressaltando que todos os procedimentos estão sendo conduzidos com rigor técnico, imparcialidade e estrita observância ao devido processo legal, assegurando que o encerramento das apurações ocorrerá após a análise completa de todo o conjunto probatório reunido.
Vale lembrar que a investigação ganhou repercussão após a PF realizar busca e apreensão contra Roberta Luchsinger em dezembro de 2025. O foco central envolve cinco pagamentos de R$ 300 mil realizados por uma empresa ligada ao "Careca do INSS" para a firma da empresária. A suposição sobre o envolvimento de Lulinha surgiu a partir do depoimento de um ex-colaborador do lobista, que relatou a existência de uma suposta "mesada" para que o filho do presidente atuasse em favor de negociações de canabidiol com o Ministério da Saúde. O advogado Bruno Salles, que representa a empresária, garante que os valores são fruto de serviços legítimos prestados na área de regulação de produtos de cannabis medicinal e nega qualquer repasse a Lulinha.






