A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, protocolou nesta quinta-feira (21) um pedido formal junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o seu cliente seja transferido da Superintendência da Polícia Federal, no Distrito Federal, para o 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. O local, popularmente conhecido como "Papudinha", é o destino pretendido pelos advogados, que alegam insuficiência nas condições atuais de custódia do banqueiro dentro das dependências da PF.
A movimentação ocorre poucos dias após o ministro André Mendonça autorizar, na última segunda-feira (18), a remoção de Vorcaro de uma sala de Estado-maior — espaço anteriormente utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — para uma cela comum. Essa mudança submeteu o investigado às normas rígidas de visitação e regime interno da Polícia Federal, intensificando a pressão sobre a defesa. O banqueiro já havia passado pela Penitenciária Federal de Brasília antes de ser realocado para a Superintendência da PF no centro da capital federal.
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O cenário jurídico envolvendo o executivo ganhou novos contornos desde que ele passou a ser defendido pelo renomado advogado José Luís Oliveira Lima, o "Juca", profissional experiente em negociações de acordos de delação premiada. A transição da equipe de defesa, que contou com a saída de Pierpaolo Bottini, sinaliza o interesse estratégico de Vorcaro em colaborar com as autoridades. Segundo informações apuradas, o banqueiro manifestou o desejo de firmar um acordo de delação ainda em março, pouco antes de sua transferência para a superintendência policial.
Daniel Vorcaro foi detido em 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar complexas fraudes financeiras de valores bilionários. A defesa sustenta que a solicitação de transferência para a unidade da Polícia Militar tem caráter humanitário e técnico, dissociando o pedido do teor das colaborações judiciais que vêm sendo negociadas com o gabinete do ministro André Mendonça. O desenrolar deste processo é acompanhado de perto pelo mercado financeiro e pelo meio jurídico, dado o impacto das possíveis revelações que uma delação de Vorcaro pode trazer às investigações em curso sobre o Banco Master.






