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Declínio no número de desovas de tartarugas marinhas em Fernando de Noronha intriga especialistas

Por Redação Arcoverde Agora
Declínio no número de desovas de tartarugas marinhas em Fernando de Noronha intriga especialistas

Pesquisadores que atuam em Fernando de Noronha registraram uma diminuição expressiva no número de ninhos de tartarugas-verdes (Chelonia mydas) na atual temporada reprodutiva. De acordo com dados oficiais atualizados até a última quarta-feira (11), apenas dez ninhos foram identificados, um contraste drástico em comparação aos 451 registros contabilizados no mesmo período do ano anterior. O cenário tem mobilizado especialistas da Fundação Projeto Tamar e do ICMBio, que buscam compreender os fatores determinantes para essa redução significativa na atividade reprodutiva da espécie no arquipélago.

A coordenadora da Fundação Projeto Tamar, Rafaely Ventura, destaca que o fenômeno não se restringe apenas a Fernando de Noronha, observando-se um comportamento similar em outras áreas estratégicas do Atlântico Sul, como o Atol das Rocas e a Ilha de Trindade. A hipótese principal aponta para um efeito de compensação após a temporada recorde de 2023, quando Noronha atingiu a marca de 805 ninhos, o maior número em mais de quatro décadas de monitoramento contínuo. A suspeita é de que o ciclo anterior tenha concentrado dois períodos reprodutivos em um único espaço de tempo, esgotando temporariamente a oferta de fêmeas aptas para a desova neste ciclo atual.

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Além das questões biológicas, o impacto das mudanças climáticas surge como um fator central de análise. O pesquisador Renan Lousada, do Centro Tamar, explica que as tartarugas podem estar ajustando seus hábitos de desova em resposta às oscilações de temperatura. A espécie tende a buscar períodos de menor calor, comuns durante a época chuvosa em Noronha, para realizar o depósito dos ovos. Como a temperatura do ninho é determinante para definir o sexo dos filhotes — sendo que ambientes acima de 29°C favorecem o nascimento de fêmeas — o atraso na temporada pode ser uma estratégia adaptativa para equilibrar a proporção populacional entre machos e fêmeas.

Sobre a presença de predadores naturais, como os tubarões-tigre, os especialistas descartam que o aumento populacional desses animais tenha relação direta com a baixa nos ninhos. Embora a predação exista, ela não ocorre em uma frequência capaz de impactar o censo reprodutivo total. A equipe técnica do monitoramento seguirá acompanhando as praias de Noronha ao longo dos próximos meses, aguardando as variações climáticas previstas para abril e maio, na esperança de que o pico da temporada possa ser alcançado com o resfriamento das temperaturas, confirmando se houve apenas um retardo no comportamento das tartarugas ou uma alteração mais profunda em seus ciclos migratórios e reprodutivos.

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