O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, protagonizou uma polêmica significativa nesta sexta-feira (1º) ao defender publicamente a revisão da legislação brasileira que proíbe o trabalho infantil. Durante sua participação no podcast "Inteligência Ltda.", transmitido ao vivo em alusão ao Dia do Trabalhador, o político argumentou que a proibição do trabalho para menores de 16 anos, salvo na modalidade de aprendiz, prejudica a formação e o senso de responsabilidade dos jovens brasileiros.
Em sua fala, Zema utilizou como exemplo o modelo norte-americano, sugerindo que atividades leves, como a entrega de jornais, poderiam ser integradas à rotina das crianças sem prejuízo ao seu desenvolvimento. O ex-governador de Minas Gerais compartilhou relatos de sua própria infância, mencionando que auxiliava o pai em um comércio de peças automotivas desde os cinco anos de idade, e defendeu que o contato precoce com o mundo laboral é um fator positivo, atribuindo a proibição atual a ideologias de esquerda que, segundo ele, disseminaram a noção equivocada de que o trabalho seria prejudicial aos menores.
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A declaração rapidamente repercutiu negativamente entre especialistas em direito do trabalho e defensores dos direitos da criança e do adolescente. A legislação brasileira atual é fundamentada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Constituição Federal, que visam proteger o menor da exploração, garantindo que o tempo de desenvolvimento seja prioritariamente destinado à educação formal e ao lazer. Críticos à proposta de Zema ressaltam que o trabalho infantil é um dos principais fatores de evasão escolar e perpetuação do ciclo de pobreza, dificultando o desenvolvimento pleno do indivíduo.
Embora Zema tenha ponderado que o estudo deve continuar sendo a prioridade, sua visão de flexibilização das normas trabalhistas para menores sinaliza uma pauta que deve dominar o debate político nacional nos próximos meses. Enquanto defensores da ideia enfatizam a cultura do esforço e o aprendizado prático, órgãos de proteção à infância reforçam que o trabalho sob condições precárias pode causar danos físicos e psicológicos irreversíveis. O tema coloca em rota de colisão visões divergentes sobre o papel do Estado na proteção da infância versus a liberdade individual para o ingresso precoce no mercado produtivo.






