O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, rebateu críticas de que as decisões do governo federal seriam o principal motor para a manutenção das taxas de juros em patamares elevados no Brasil. Em entrevista recente, o representante da equipe econômica enfatizou que, embora o debate sobre o equilíbrio fiscal seja fundamental, atribuir a responsabilidade exclusiva pelo cenário atual à política de gastos é uma simplificação excessiva de um problema macroeconômico complexo.
Para Durigan, o atual patamar da Taxa Selic funciona como um verdadeiro gargalo para o desenvolvimento nacional, prejudicando o setor privado ao elevar o custo do investimento e onerando significativamente a dívida pública, que hoje se encontra em patamares elevados para a realidade de países emergentes. O ministro destacou que o Ministério da Fazenda está empenhado em implementar um rigoroso ajuste nas contas públicas nos próximos anos, visando cumprir as metas de superávit primário estabelecidas até 2030, através de uma combinação de revisão de benefícios fiscais e controle de despesas.
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Enquanto o governo busca o equilíbrio, especialistas do setor financeiro alertam para o descompasso entre a política de gastos e a estratégia monetária conduzida pelo Banco Central. O cenário atual, descrito como dois remadores puxando o barco em direções opostas, reflete a tensão entre as medidas de estímulo econômico e o esforço de desaceleração da atividade para o controle inflacionário. Economistas reforçam que a harmonização dessas políticas é essencial para a estabilidade do mercado.
O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, permanece como o guia para a sustentabilidade das contas, embora existam preocupações crescentes sobre o espaço discricionário do governo. Com o crescimento dos gastos obrigatórios, como pensões e benefícios previdenciários, o governo se vê diante do desafio de realizar cortes estruturais para evitar que a máquina pública sofra paralisações. Durigan reforçou que, embora medidas impopulares possam ser necessárias a longo prazo, o arcabouço é a ferramenta viável para garantir que as receitas e despesas sigam uma trajetória de sustentabilidade, permitindo que o Brasil retome o caminho do crescimento econômico com responsabilidade fiscal e previsibilidade para o investidor nacional e estrangeiro.






