Cuba registrou, na madrugada de terça-feira (3), a menor temperatura de sua história, ao atingir 0°C. A marca foi registrada pela estação meteorológica de Indio Hatuey, na província de Matanzas, superando o recorde anterior de 0,6°C, observado em 1996. Foi a primeira vez que o país alcançou o ponto de congelamento.
O fenômeno foi provocado por uma massa de ar polar vinda da América do Norte, que causou geadas em plantações e foi sentida em outras regiões do Caribe e do sul dos Estados Unidos. Na Flórida, o frio intenso levou iguanas a caírem das árvores, comportamento comum da espécie em baixas temperaturas.
O recorde climático ocorre em um momento de grave crise econômica na ilha. Em 2025, o turismo — uma das principais fontes de divisas do país — fechou o ano com 1,8 milhão de visitantes, número bem abaixo da meta oficial de 2,6 milhões. O setor sofreu uma queda de 17,8% em relação a 2024, impactado por apagões frequentes, escassez de produtos e falta de combustível.
Diante do cenário, países como Canadá, Espanha e Reino Unido emitiram alertas para que turistas redobrem cuidados ao viajar para Cuba. A Argentina, por sua vez, recomendou evitar deslocamentos à ilha devido às falhas nos serviços públicos e no abastecimento sanitário.
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Pressão de Washington agrava cenário
A situação interna também tem sido agravada pela pressão política dos Estados Unidos, intensificada após a paralisação do envio de petróleo venezuelano, consequência da deposição de Nicolás Maduro. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva impondo tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, classificando o país como uma “ameaça excepcional à segurança nacional americana”.
Embora Trump afirme que existem negociações em curso e a possibilidade de um acordo, o governo cubano nega a existência de diálogo formal. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, houve apenas trocas pontuais de mensagens, sem avanço diplomático.
Com o agravamento dos apagões e das filas nos postos de gasolina, Havana acusa Washington de tentar asfixiar economicamente o país. O governo cubano admite que enfrentará um período extremamente difícil, afirmando estar elaborando planos de contingência para mitigar os impactos.
Enquanto isso, o México sinalizou a intenção de enviar ajuda humanitária e petróleo à ilha, apesar das ameaças do governo Trump de que o país vizinho deveria interromper o fornecimento, ao classificar Cuba como uma “nação fracassada”.






