O setor leiteiro no interior de São Paulo vive um momento de profunda instabilidade, marcado por um cenário desafiador onde o aumento dos custos de produção colide diretamente com a queda acentuada nos preços pagos pelo litro do produto. Em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, produtores como Alex Menezes tentam resistir à pressão econômica adotando tecnologias para manter a produtividade. Com um rebanho de 27 vacas da raça Girolanda, sendo 17 em lactação, a propriedade alcança uma média diária de 170 litros de leite, resultado direto do investimento em sistemas de piquetes irrigados que asseguram a qualidade da nutrição do gado durante todo o ano.
No entanto, a eficiência produtiva tem sido insuficiente para garantir a tranquilidade financeira da atividade. O produtor aponta que o custo de produção atual se situa próximo a R$ 1,63 por litro, enquanto o valor de venda praticado no mercado é de apenas R$ 1,80. Essa margem extremamente estreita tem inviabilizado a realização de novas melhorias na infraestrutura rural, forçando os produtores a venderem parte do seu plantel como uma estratégia desesperada para conseguir capital de giro e manter as operações básicas.
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A análise do engenheiro agrônomo José Wanderley Quintero, do Senar, corrobora a gravidade da situação. Segundo ele, a crise se prolonga por cerca de três anos, agravada significativamente em 2026 pela intensificação das importações de leite em pó, que pressionam os preços internos para baixo. Produtores experientes, como Cristina Hattori, de Ameliópolis, relatam que este é o período mais difícil em mais de uma década e meia de atividade rural. A venda de animais, embora seja uma medida de mitigação, é vista por especialistas com cautela, pois pode comprometer a capacidade produtiva a longo prazo da fazenda.
Apesar dos indicadores econômicos desfavoráveis, a resiliência dos produtores paulistas ainda permite que o volume de produção se mantenha expressivo. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostram que, no ano passado, o estado registrou quase 82 mil litros, um crescimento em relação ao período anterior. Contudo, a sustentabilidade dessa produção depende urgentemente de um equilíbrio entre as políticas de importação e o suporte aos produtores locais, que continuam lutando para que a atividade leiteira não se torne economicamente insustentável no campo paulista.






