Moradores relatam que cozinham com carvão e enfrentam cortes de energia de até 18 horas. A situação se intensificou após medidas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países que enviem petróleo à ilha e reforçou restrições econômicas.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que o país viverá “tempos difíceis” e anunciou um plano emergencial de economia de energia, incluindo racionamento de combustível e incentivo ao trabalho remoto.
Apoio internacional e tensão diplomática
Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, os EUA ampliaram a pressão para cortar o envio de petróleo da Venezuela a Cuba. O México, por sua vez, enviou ajuda humanitária, sob decisão da presidente Claudia Sheinbaum, com toneladas de alimentos partindo do porto de Veracruz.
O governo brasileiro também avalia enviar alimentos e medicamentos, mas ainda não definiu volume nem logística.
Comparação com o “Período Especial”
A crise atual é comparada ao período pós-colapso da União Soviética, quando Cuba perdeu seu principal parceiro comercial e enfrentou forte recessão. Segundo o professor Michael Bustamante, da Universidade de Miami, o PIB cubano caiu mais de um terço entre 1991 e 1994. Hoje, a retração é menor em termos percentuais, mas parte de uma economia já fragilizada.
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Especialistas apontam que, diferente dos anos 1990, há hoje maior desigualdade interna. Quem recebe remessas do exterior ou trabalha no setor privado consegue acessar produtos em lojas abastecidas, enquanto a maioria depende de salários médios equivalentes a cerca de US$ 14 mensais no câmbio informal.
Impacto no cotidiano
Moradores relatam dificuldades para trabalhar, estudar e cuidar da saúde. Crianças frequentam escolas sem eletricidade regular, e muitos deixam de comparecer a compromissos por falta de transporte.
Apesar disso, ainda não há colapso total nas ruas. Parte da população tenta se adaptar com criatividade: uso de lâmpadas recarregáveis, armazenamento de água e retorno ao uso de lenha e carvão para cozinhar.
Impasse político
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, também reforçou a linha dura contra Havana. Já Díaz-Canel afirmou estar disposto ao diálogo, mas “sem pressões”.
Historicamente, o embargo econômico imposto pelos EUA desde os anos 1960 não provocou mudança de regime em Cuba, mas aprofundou dificuldades econômicas. Analistas avaliam que a atual escalada pode aumentar o risco de instabilidade social, embora o desfecho ainda seja incerto.
A sensação entre muitos cubanos é de que “algo pode acontecer”, mas, após décadas de impasse entre Washington e Havana, não há clareza sobre qual será o próximo capítulo.






