A paca (Cuniculus paca), um roedor nativo das Américas e parente próximo da capivara e da cutia, tem se tornado uma alternativa de diversificação para produtores rurais que buscam ingressar no segmento de animais silvestres. Diferente de outros roedores, a paca destaca-se por suas listras características, hábitos estritamente noturnos e uma carne altamente valorizada pela gastronomia devido à sua maciez e sabor suave. Contudo, o que muitos empreendedores desconhecem é a complexidade legal e estrutural necessária para operar um criadouro de forma regular no Brasil.
O primeiro e mais crucial passo para quem deseja iniciar a atividade é a obtenção da autorização junto aos órgãos ambientais competentes. Por se tratar de fauna silvestre, a captura de espécimes na natureza é estritamente proibida, sendo obrigatória a aquisição de matrizes provenientes de criadouros devidamente licenciados e autorizados. O processo de licenciamento, que varia conforme o estado, exige um projeto técnico detalhado elaborado por profissionais habilitados, como veterinários ou zootecnistas, e pode demandar um período de maturação superior a um ano até a concessão da licença definitiva.
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No aspecto financeiro, o investimento para o estabelecimento de uma infraestrutura adequada é considerável. Estima-se que um projeto inicial com 15 matrizes exija um aporte aproximado de R$ 60 mil, englobando as instalações, assessoria técnica e a compra dos exemplares. Em projetos de maior escala, os custos podem chegar a R$ 400 mil, considerando a construção de galpões e sistemas de controle sanitário. O bem-estar animal é um dos pilares do sucesso operacional: as baias devem conter piscinas para regulação térmica, caixas-ninho para reproduzir o ambiente de tocas e elementos que auxiliem no desgaste natural dos dentes, que crescem continuamente.
O ciclo produtivo da paca é caracterizado por uma reprodução lenta, com gestações de cerca de quatro meses e, frequentemente, apenas um filhote por cria. O manejo alimentar deve ser equilibrado, combinando uma base de frutas e vegetais com uma dieta seca composta por milho, trigo e soja para garantir o aporte proteico. A rastreabilidade é garantida por meio de microchips de 15 dígitos implantados nos animais, o que assegura a legalidade do plantel. Para quem pretende investir, a viabilidade econômica divide-se entre a venda de carne para frigoríficos ou o comércio de matrizes para outros criadores, sendo este último segmento frequentemente mais rentável, com preços por animal que variam entre R$ 2.500 e R$ 3.000. Antes de qualquer iniciativa, é fundamental realizar um estudo de mercado local para alinhar as expectativas de lucro com a demanda real da região.






