Durante a sessão da CPI do INSS, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, anunciou a prisão de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, acusado de mentir em seu depoimento. O relator, deputado Alfredo Gaspar, justificou o pedido afirmando que o depoente, mesmo na condição de testemunha, “fez afirmações falsas, negou e calou a verdade”.
“Em nome dos aposentados, quase 240 mil que a CBPA enganou, senhor Abraão Lincoln da Cruz, o senhor está preso”, declarou Viana.
Gaspar fundamentou o pedido em quatro episódios de contradição:
Silêncio sobre conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS;
Negação da real relação com Gabriel Negreiros, descrita como meramente “institucional”;
Omissão sobre poderes de Adelino Rodrigues Junior para movimentar recursos da CBPA;
Mentira sobre a saída da CNPA, alegando renúncia, quando na verdade foi afastado por decisão judicial.
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O relator afirmou que, ao longo da sessão, Abraão Lincoln optou por permanecer em silêncio em várias perguntas, o que aumentou as suspeitas.
A CBPA é investigada pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas, com prejuízo estimado em R$ 221,8 milhões.
Segundo o relatório do Coaf, a confederação movimentou R$ 410 milhões entre maio de 2024 e maio de 2025, em uma conta do Banco do Brasil em Ceilândia (DF).
Além de Abraão Lincoln, também foram presos Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e Rubens Oliveira Costa, apontado pela PF como intermediário do Careca do INSS — todos por falso testemunho.
A CPI considera a CBPA um dos eixos centrais da estrutura criminosa revelada pela investigação e afirma que a entidade usava sua posição para desviar recursos de beneficiários do INSS de forma “contumaz e sistêmica”.






