Conflitos no Oriente Médio impactam exportações de carne brasileira

As recentes instabilidades geopolíticas no Oriente Médio, marcadas pela escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, geraram um impacto significativo no escoamento de produtos do agronegócio brasileiro. Segundo dados consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o volume de carne bovina exportado para mercados estratégicos na região sofreu quedas acentuadas em março. O caso mais emblemático foi o dos Emirados Árabes Unidos, que registraram uma retração de 49% nas importações do produto em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Outros parceiros comerciais de peso na região seguiram a mesma tendência de baixa. O Egito, maior comprador do Oriente Médio, apresentou uma redução de 16% no volume adquirido, enquanto a Arábia Saudita teve queda de 7,6%. Países como Catar, Jordânia, Iraque e Kuwait também reportaram retrações severas, variando entre 34% e 55%. Essa interrupção logística é atribuída em grande parte às dificuldades de navegação e ao temor de bloqueios no Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o comércio internacional que sofre com a presença de navios de guerra na região.
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Apesar desse cenário adverso em mercados específicos, o desempenho global do agronegócio brasileiro mantém resiliência. As exportações totais de carne bovina cresceram 9,1% em volume, totalizando 270,8 mil toneladas, com a receita atingindo US$ 1,48 bilhão — um incremento de 26%. Este avanço foi impulsionado pelo fortalecimento das vendas para a China, Estados Unidos e Chile, que compensaram, em termos macroeconômicos, as perdas regionais no Golfo Pérsico. O setor de aves também demonstrou solidez; embora tenha registrado queda de 18,5% nas vendas para o Oriente Médio em relação a fevereiro, a exportação total de carne de frango cresceu 6% no acumulado de março.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que o fluxo de mercadorias continua sendo viabilizado por rotas alternativas. A colaboração entre o Ministério da Agricultura e o setor privado tem sido fundamental para contornar o fechamento de passagens estratégicas e assegurar o abastecimento alimentar nos países impactados. Enquanto o comércio no Estreito de Ormuz alterna momentos de tensão e reabertura, o Brasil consolida sua posição como fornecedor global, aproveitando a crescente demanda nos mercados asiáticos para mitigar os riscos inerentes à volatilidade política global.
Tags:
Brasil,
Economia,
Agronegócio,
Exportações,
Geopolítica
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