A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quarta-feira (26), por unanimidade, as indicações de quatro diplomatas que irão comandar representações brasileiras no exterior. Três deles chefiarão embaixadas específicas, enquanto um atuará de forma cumulativa em dois países africanos. As mensagens seguem agora para votação final no Plenário.
Namíbia
A CRE aprovou a indicação (MSF 56/2025) do diplomata Pedro de Castro da Cunha e Menezes para embaixador do Brasil na Namíbia, em relatório apresentado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Jornalista de formação e diplomata desde os anos 1990, Pedro Menezes já ocupou postos na Austrália, Quênia, Portugal, África do Sul, Equador e Paraguai, além de ter atuado em cargos de chefia no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O relatório aponta que as relações entre Brasil e Namíbia envolvem cooperação técnica, naval, educacional e humanitária. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 11,2 milhões. Independente desde 1990, o país africano tem 3,1 milhões de habitantes, vastas áreas desérticas e economia baseada em turismo e mineração — especialmente diamantes, urânio, ouro e prata.
Congo e República Centro-Africana
Também foi aprovada a indicação (MSF 62/2025) do diplomata João de Mendonça Lima Neto para chefiar a embaixada brasileira no Congo, com atuação cumulativa na República Centro-Africana. O relator, senador Sergio Moro (União-PR), destacou a complexidade da missão.
Com carreira extensa, Lima Neto já trabalhou no Japão, Reino Unido, China, Emirados Árabes, Vietnã e outros países, além de exercer desde 2022 o cargo de embaixador em Mumbai, na Índia.
Durante a votação, Moro ressaltou: “Registro a qualificação do indicado para o cargo, além do grande desafio de estar à frente, cumulativamente, dessas duas embaixadas.” O diplomata afirmou que suas prioridades incluem fortalecer o diálogo com governos, empresários e representações estrangeiras.
O relatório lembra que o Congo tem buscado novas parcerias, registrando comércio bilateral de US$ 215,1 milhões com o Brasil no último ano. Já a República Centro-Africana enfrenta forte instabilidade política e teve relação comercial mais modesta: US$ 3,2 milhões em 2024.
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Iraque
A indicação (MSF 69/2025) do diplomata Alfredo Cesar Martinho Leoni para embaixador do Brasil no Iraque foi relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). Formado em direito, Leoni já serviu em Nova York, Roma, Washington, Paquistão, Afeganistão, Polônia e Omã.
Amin ressaltou a relevância estratégica da missão: “A relação com o Iraque foi submetida a uma espécie de calvário dos anos 1990 até hoje. A comissão deveria acompanhar com algum cuidado excepcional essa missão.”
Leoni destacou o potencial econômico iraquiano: “Pretendo estreitar ainda mais os laços comerciais. O Iraque, agora com estabilidade política, tem expandido sua economia e precisa de conhecimento e mão de obra de empresas estrangeiras.”
Com mais de 40 milhões de habitantes e grande importância energética, o Iraque avança em esforços de reconstrução após décadas de conflito. Em 2024, o comércio bilateral contou com forte participação do agronegócio brasileiro.
Nepal
A CRE também aprovou a indicação (MSF 70/2025) do diplomata Claudio Raja Gabaglia Lins para chefiar a embaixada brasileira no Nepal. O relatório da senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi lido em sessão pelo senador Hamilton Mourão.
Com ampla experiência no sul da Ásia, Lins já serviu como embaixador no Paquistão, acumulando representação no Afeganistão e Tajiquistão. Desde 2020, atua como embaixador em Nassau, nas Bahamas.
O relatório aponta avanços na cooperação entre Brasil e Nepal, especialmente em agricultura familiar, café, ervas medicinais, pecuária e indústria leiteira. O comércio bilateral atingiu US$ 9 milhões em 2024, impulsionado pela exportação de milho.
Localizado no Himalaia, o Nepal tem 31 milhões de habitantes e abriga o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo.
Fonte: Agência Senado






