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Comissão conclui que ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar

Por Redação Arcoverde Agora
Comissão conclui que ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, nesta sexta-feira (29), um relatório contundente que altera o curso da historiografia brasileira ao concluir que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de um atentado planejado pela ditadura militar em 1976. O documento oficial, aprovado por ampla maioria, contesta categoricamente a versão histórica consolidada de que o óbito do político teria ocorrido em decorrência de um acidente automobilístico na Via Dutra, rodovia que liga as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Durante a apresentação do relatório na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, a relatora e professora Maria Cecília Adão expôs uma série de evidências que sugerem a manipulação deliberada dos fatos. Segundo a investigação, JK teria sido atraído para a rodovia sob o pretexto de um encontro com emissários do então presidente Ernesto Geisel, abandonando a segurança das viagens aéreas. A comissão aponta que a estratégia foi desenhada para facilitar a execução de um plano que vinha sendo arquitetado há algum tempo, culminando na trágica colisão que tirou a vida de um dos maiores ícones da política nacional.

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O levantamento minucioso identificou pelo menos 37 fraudes na apuração original do caso, incluindo a presença suspeita de militares no local do acidente minutos após o impacto, o que possibilitou a adulteração de provas e a manipulação de testemunhas cruciais. A relatora destacou inconsistências físicas graves, como a incompatibilidade entre as marcas de frenagem e a dinâmica do ônibus envolvido, além de fotos que provam avarias posteriores no veículo de JK. Adicionalmente, a ausência de exames toxicológicos e a retirada suspeita do diário pessoal do ex-presidente do local do acidente reforçam a tese de obstrução da justiça.

Diante desses elementos, a comissão se prepara agora para solicitar a retificação da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek, cumprindo as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça. A decisão representa um passo fundamental para o esclarecimento das violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar e abre precedente para que a memória histórica do Brasil seja devidamente corrigida à luz de novas evidências técnicas e documentais.

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