Em um movimento crucial para a integridade do ambiente informacional no Brasil, importantes organizações empresariais nacionais uniram forças para lançar a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação. A iniciativa, apresentada em evento no Unibes Cultural, tem como principal objetivo fomentar meios e condições para a produção e circulação de informações mais íntegras, seguras e responsáveis. Este esforço coletivo visa endereçar um problema que, segundo dados alarmantes, transcendeu o âmbito digital e se tornou um risco sistêmico com sérias implicações para a democracia, a confiança institucional e o próprio ambiente de negócios.
Liderada pelo respeitado Instituto Ethos, a coalizão conta com a parceria estratégica da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). O suporte técnico é provido pelo NetLab, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reforçando a base científica e acadêmica da iniciativa. A cerimônia de lançamento reuniu diversas personalidades e líderes empresariais, sublinhando a amplitude e o peso institucional do projeto.
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Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, enfatizou a necessidade imperativa de uma abordagem conjunta para combater a desinformação. Ele defendeu que uma “resposta consistente” só será possível através da cooperação entre a sociedade civil, o setor privado, o poder público, a academia e os veículos de comunicação. “A resposta a esse problema precisa ser coletiva. Ela passa por mais transparência das plataformas, por mais responsabilidade no desenvolvimento e na circulação de sistemas de inteligência artificial, por políticas públicas de formação crítica e por um compromisso institucional com a integridade da informação. O desafio não é apenas tecnológico. É social, político e ético”, declarou Magri, ressaltando a complexidade do cenário atual.
A urgência da iniciativa é corroborada por dados globais. O Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, aponta a desinformação como um risco sistêmico, com profundos impactos na democracia, na confiança das instituições e na estabilidade do ambiente de negócios. Além disso, Márcio Borges, pesquisador do NetLab, apresentou um estudo alarmante: entre 21 países pesquisados, o Brasil se destaca como a nação com maior dificuldade em identificar notícias falsas nas redes sociais. Este dado é ainda mais crítico ao considerar que 80% dos brasileiros utilizam as redes sociais como principal fonte de informação, conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Fórum Econômico Mundial também prevê que a desinformação e a polarização social serão fatores cruciais de instabilidade global nos próximos dois anos.
Nesse panorama desafiador, a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação surge como um pilar de apoio às empresas, auxiliando-as na construção de respostas estruturadas. Estas respostas serão fundamentadas em evidências e alinhadas às melhores práticas de governança e responsabilidade corporativa. A coalizão atuará em frentes diversas, incluindo a produção de conhecimento técnico especializado, o desenvolvimento de diretrizes orientadoras claras e a promoção contínua de espaços de diálogo. Esses diálogos envolverão lideranças empresariais, especialistas renomados e a sociedade civil, visando uma construção conjunta de soluções.
Andréa Álvares, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, reforçou a importância do papel do setor empresarial neste combate. “A desinformação impacta diretamente a confiança e exige uma resposta coordenada e multissetorial. Ao lançar esta coalizão, reforçamos o papel do setor empresarial como agente ativo na construção de um ambiente informacional mais íntegro”, afirmou Álvares, destacando a responsabilidade compartilhada e o potencial transformador das empresas. O evento de lançamento culminou com um painel de discussão aprofundada sobre as notícias enganosas no Brasil e no mundo, a proliferação de “junk news” (conteúdos que imitam o formato jornalístico sem seguir seus princípios éticos), o papel da publicidade na disseminação de informações falsas e a responsabilidade das organizações. Cristiano Lobato Flores, presidente-executivo da ABERT, e Hamilton Santos, diretor-executivo da Aberje, participaram do debate, que foi moderado por Andréa Álvares. A discussão enfatizou como a crise de confiança, agravada pela circulação de informações distorcidas, pode prejudicar negócios em diversos segmentos, e reiterou o papel vital da comunicação empresarial e do jornalismo profissional no enfrentamento desse complexo cenário.






