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COAF aponta movimentações suspeitas e pagamento de faturas de Ciro Nogueira por aliados

Por Redação Arcoverde Agora
COAF aponta movimentações suspeitas e pagamento de faturas de Ciro Nogueira por aliados

Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) trouxe à tona movimentações financeiras atípicas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressistas. O documento aponta que o parlamentar teve faturas de cartões de crédito, totalizando cerca de R$ 17 mil, quitadas por dois deputados federais de seu próprio partido: Átila Lira (PP-PI) e Júlio Arcoverde (PP-PI). As transações, ocorridas ao longo de 2024, foram sinalizadas pela Caixa Econômica Federal como condutas inusitadas, incompatíveis com o perfil do cliente e com a legislação sobre movimentações de Pessoas Politicamente Expostas (PEPs).

O relatório integra uma investigação mais ampla sobre a BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, entidade apontada pela Polícia Federal como um dos núcleos utilizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para operações de lavagem de dinheiro. A Caixa destacou que a conta do senador apresentou movimentações habituais de recursos incompatíveis com seu patrimônio declarado e atividades profissionais. Além do pagamento de boletos por terceiros, a instituição financeira alertou para transferências internacionais sem justificativa de origem, incluindo o recebimento de valores em dólares oriundos de um condomínio de luxo em Miami, propriedade anteriormente ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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Questionado sobre os pagamentos, o deputado Júlio Arcoverde justificou que o repasse poderia estar relacionado a encomendas de itens pessoais durante viagens internacionais de Ciro Nogueira, enquanto o deputado Átila Lira negou veementemente ter realizado qualquer pagamento de fatura do senador, classificando a informação do COAF como incorreta. Por sua vez, a assessoria de Ciro Nogueira classificou os questionamentos como um "absurdo" e informou que o parlamentar não se manifestará sobre o conteúdo do relatório. O caso levanta debates jurídicos sobre os limites da Lei de Lavagem de Dinheiro e possíveis atos de improbidade administrativa, dado que o filho de Arcoverde, Júlio Ferraz Arcoverde Filho, ocupa cargo comissionado no gabinete de Nogueira.

Além das questões envolvendo pagamentos de faturas, o relatório detalha a proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro. Documentos apreendidos em investigações mostram uma relação de amizade próxima, incluindo a participação de Vorcaro em eventos familiares do senador e a utilização de aeronaves de empresas do banqueiro pelo político. Entre os pontos de atenção das autoridades está uma emenda apresentada por Nogueira que alterou limites do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida de interesse do setor bancário. As investigações sobre a origem dos recursos e a natureza dessas transações seguem sob análise dos órgãos de controle para determinar se houve violação aos princípios da administração pública ou uso de interpostas pessoas para ocultar a movimentação de valores ilícitos.

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