Um levantamento inédito divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) trouxe à tona números alarmantes sobre a escalada das organizações criminosas no Brasil. De acordo com o primeiro mapa de ações sobre o tema, apresentado pelo ministro Edson Fachin, o país contabiliza atualmente mais de 12 mil ações penais pendentes relacionadas diretamente a facções criminosas. Os dados revelam que o volume de processos dessa natureza registrou um crescimento vertiginoso de quase 160% nos últimos cinco anos, evidenciando o desafio enfrentado pelo Poder Judiciário e pelas forças de segurança pública.
Durante a apresentação dos resultados em Brasília, o ministro Edson Fachin, atual presidente do CNJ, destacou que a expansão do crime organizado deixou de ser apenas uma questão de segurança pública e passou a representar uma ameaça real ao Estado Democrático de Direito. Segundo o magistrado, as facções têm demonstrado um alto poder de articulação, infiltrando-se em mercados lícitos, instrumentalizando o sistema financeiro para a lavagem de dinheiro e disputando o controle territorial em áreas onde a presença do Estado é historicamente fragilizada.
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O relatório detalha que, somente em 2025, foram abertas 3.027 novas ações penais, enquanto 1.661 processos foram arquivados. A evolução temporal é um dos pontos mais críticos do levantamento: em 2020, o país registrava 2.607 ações envolvendo organizações criminosas, número que saltou para 6.761 processos ativos até o ano atual. Esse crescimento exponencial é um reflexo direto da complexificação das estratégias de atuação dessas facções, que hoje desafiam abertamente o monopólio da força estatal.
Para o ministro, a convivência com esse cenário gera incerteza e medo na população, ferindo direitos fundamentais como o de ir e vir. Fachin reforçou que a democracia é incompatível com localidades dominadas por grupos criminosos, onde o poder do Estado é substituído pela autoridade imposta pelo crime. A divulgação desses números visa subsidiar políticas públicas mais eficazes e coordenadas entre os diferentes entes federativos, promovendo uma resposta institucional à altura da gravidade da situação. A integração entre as polícias de 15 estados tem sido um dos pilares apontados como essenciais para reverter essa curva ascendente de violência e criminalidade organizada no território nacional.






