Uma sessão no Tribunal Superior do Trabalho (TST) realizada nesta segunda-feira (4) foi marcada por um intenso embate verbal entre o presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, e o ministro Ives Gandra Filho. O conflito teve origem em um vídeo viralizado nas redes sociais, no qual o presidente do tribunal discursava sobre a classificação de magistrados em “juízes vermelhos” e “juízes azuis”, termos que, no contexto jurídico interno, buscariam diferenciar ministros pela sua inclinação mais ativista ou legalista em relação à proteção do trabalho.
Durante o evento que deu início à polêmica, Vieira de Mello Filho defendeu a atuação da Justiça do Trabalho, afirmando que a instituição possui uma “causa” voltada à proteção dos vulneráveis. Segundo o ministro, a interpretação de sua fala foi distorcida pela circulação de recortes fora de contexto. Ele argumentou que a sua defesa é pela sobrevivência da própria Justiça do Trabalho frente às ameaças atuais. Em resposta, ele criticou a postura do ministro Ives Gandra Filho, apontando que a divisão entre cores de magistrados teria sido iniciada pelo colega em cursos voltados para advogados, o que, na visão de Vieira de Mello, representaria um conflito ético.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
Por sua vez, o ministro Ives Gandra Filho manteve sua posição, argumentando que a divisão entre visões liberais e protecionistas é uma realidade observada cotidianamente nas decisões do tribunal. Gandra Filho enfatizou sua postura legalista, defendendo que a aplicação estrita da lei é necessária para não sobrecarregar as empresas e manter a empregabilidade, sugerindo que o tribunal deve realizar uma autocrítica constante sobre o impacto econômico de suas decisões. O ministro rejeitou a ideia de que estaria contribuindo para a destruição da Justiça do Trabalho.
O debate, que se estendeu por cerca de 30 minutos, gerou desconforto entre outros magistrados. A ministra Maria Cristina Peduzzi interveio ao final da sessão, criticando duramente a postura de seus colegas. Para a ministra, o embate público não reflete uma atitude democrática. Peduzzi reforçou que todos os integrantes da Corte possuem liberdade para julgar conforme sua interpretação da lei, sem que haja necessidade de repreensão mútua ou rotulagem ideológica, defendendo que o compromisso de todos os magistrados deve ser estritamente com a aplicação da Constituição e do ordenamento jurídico brasileiro.






