A China decidiu não integrar o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), fundo global de preservação de florestas tropicais apresentado pelo Brasil como principal iniciativa da COP30, segundo três fontes com conhecimento direto do tema. O mecanismo, lançado em Belém, já soma US$ 5,5 bilhões em compromissos de países como Noruega, França e Indonésia, além de sinalização da Alemanha. Ainda assim, o montante fica abaixo da meta revisada estipulada antes das negociações.
A proposta original previa US$ 25 bilhões em capital semente, que poderiam ser alavancados até US$ 125 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na semana passada acreditar que o fundo pode alcançar US$ 10 bilhões até 2025. Duas fontes relataram que autoridades chinesas defendem que “os países desenvolvidos devem assumir a responsabilidade principal pelo financiamento da conservação global”. Brasil e Indonésia foram os primeiros apoiadores do TFFF.
Procuradas, as delegações chinesas, os ministérios ambientais e financeiros da China e o Ministério da Fazenda do Brasil não comentaram. O fundo foi concebido para remunerar países que preservam floresta em pé, prevendo retorno financeiro aos investidores e pagamento anual de US$ 4 por hectare protegido.
Segundo uma das fontes, o Brasil não espera novos anúncios de aportes durante a COP30, que segue até 21 de novembro. Negociações com a Índia estão paralisadas, enquanto Japão e Reino Unido demonstraram interesse, mas sem formalização. Promessas da Holanda e Canadá devem surgir apenas em 2025. Nenhum banco multilateral de desenvolvimento confirmou participação.
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O Banco Europeu de Investimento (BEI) informou manter conversas com a Comissão Europeia sobre possível apoio. “O princípio básico — de que é preciso recompensar países que não destroem florestas — é totalmente legítimo”, afirmou Ambroise Fayolle, vice-presidente da instituição. Paralelamente, o BEI anunciou € 50 milhões a um fundo de reflorestamento da gestora Ardian.
Outro banco ocidental, com histórico em investimentos climáticos, recusou a adesão ao TFFF. Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional por novos aportes: treze ONGs alemãs pediram ao chanceler Friedrich Merz que anuncie US$ 2,5 bilhões ainda durante a conferência. O compromisso da Noruega, de US$ 3 bilhões em dez anos, depende de contribuições adicionais de outros países.
No setor privado, surgiram os primeiros sinais de interesse. A Fundação Minderoo, do bilionário australiano Andrew Forrest, anunciou aporte de US$ 10 milhões. “Recebemos retorno financeiro e, melhor ainda, ajudamos a salvar as florestas tropicais. Não se trata de compensação de carbono”, afirmou Forrest.






