Francisco de Assis França Caldas Brandão, mundialmente conhecido como Chico Science, completaria 60 anos nesta sexta-feira (13). O artista, que nasceu em Olinda e se tornou um dos nomes mais influentes da música brasileira, foi o grande arquiteto do movimento Manguebeat, uma revolução cultural que colocou Pernambuco no mapa da modernidade sonora global na década de 1990. Com a banda Chico Science & Nação Zumbi, ele não apenas quebrou paradigmas estéticos, mas redefiniu a forma como o Brasil enxergava a fusão entre a tradição popular e a experimentação tecnológica.
Antes de conquistar o reconhecimento internacional com obras antológicas como o álbum "Da Lama ao Caos", Science já trilhava um caminho de intensa inquietação artística. A professora Luciana Mendonça, especialista no tema e autora do livro "Manguebeat: A Cena, o Recife e o Mundo", destaca a trajetória do artista como a de um verdadeiro "cientista dos ritmos". Segundo a docente, a capacidade de Science de transitar entre o hip hop, o rock, a música negra transnacional e as batidas percussivas das periferias da Região Metropolitana do Recife foi o que forjou sua identidade única. Essa pluralidade, aliada a um espírito aglutinador, permitiu que ele reunisse talentos diversos e desse voz a uma cena que buscava, simultaneamente, honrar suas raízes e projetar o Recife para o futuro.
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A relevância de Chico Science transcende os dois álbuns deixados, "Da Lama ao Caos" e "Afrociberdelia". Para a crítica especializada, o impacto de sua obra reside na originalidade absoluta. O músico não promoveu uma substituição dos mestres da cultura popular pernambucana; pelo contrário, ele os elevou ao palco das grandes metrópoles, provando que o maracatu, o coco e o frevo poderiam dialogar perfeitamente com distorções de guitarra e batidas eletrônicas. Esse respeito pela ancestralidade, combinado com uma visão de mundo cosmopolita, é o que torna sua arte atemporal.
Além do aspecto musical, a filosofia de vida pregada por Science – resumida no lema "faça o que você é" – permanece como uma bússola para novas gerações de artistas. Ele incentivava a autenticidade, instigando músicos a absorverem suas vivências locais e transformá-las em linguagens universais. Hoje, ao olharmos para a trajetória de Chico, celebramos não apenas o aniversariante, mas um símbolo de resistência cultural que ensinou o Brasil a celebrar a complexidade de suas próprias raízes, mantendo o Manguebeat vivo como um ecossistema de eterna renovação e criatividade.






