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Chefe da Patrulha de Fronteira dos EUA é afastado após polêmica com uniforme em protestos anti-ICE

Por Redação Arcoverde Agora
Chefe da Patrulha de Fronteira dos EUA é afastado após polêmica com uniforme em protestos anti-ICE

O chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, Gregory Bovino, foi afastado das operações em Minneapolis, cidade que tem sido palco de intensos protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pelo The New York Times, pela revista The Atlantic e pela emissora CBS News.

Segundo os veículos, Bovino retornará ao posto de controle de fronteira em El Centro, na Califórnia, onde deve se aposentar em breve. Até o momento, a informação não foi confirmada oficialmente pela Casa Branca.

O afastamento ocorre após forte repercussão negativa envolvendo a vestimenta usada por Bovino, comparada por veículos da imprensa europeia a uniformes nazistas. Em meados de janeiro, o chefe da patrulha apareceu usando um sobretudo verde-oliva de lã, com abotoamento duplo, dragonas e botões de latão, o que gerou críticas especialmente na Alemanha.

O colunista Arno Frank, da revista Der Spiegel, afirmou que Bovino estaria “recorrendo a modelos testados e aprovados”, destacando que ele “se sobressaía da turba de valentões, assim como um elegante oficial da SS se destaca da tumultuosa SA”. O jornalista ainda ironizou o visual, dizendo que “tudo o que faltava para o cosplay perfeito era um monóculo”.

Já o jornal Süddeutsche Zeitung ponderou que esse tipo de casaco também foi utilizado por outros países, como tropas britânicas durante a Segunda Guerra Mundial, mas alertou para o conjunto estético adotado por Bovino. “Outros países também tinham esses casacos, mas o traje de Bovino completa o visual nazista”, afirmou o veículo, citando inclusive o corte de cabelo curto do chefe da patrulha.

Debate sobre militarização

O portal Politico adotou uma análise mais ampla, destacando que o sobretudo faz parte de um vocabulário militar anterior ao fascismo, utilizado por forças armadas em diversas partes do mundo. No entanto, o site alertou para o impacto simbólico do uso de uniformes militarizados.

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“Os uniformes revelam o que uma instituição acredita ser, moldam a forma como o público vê os militares e afetam como os próprios agentes se veem”, destacou o Politico. Segundo a análise, esse processo pode gerar um ciclo de militarização, no qual a estética agressiva alimenta o medo público e justifica práticas ainda mais rígidas.

Mudança no comando

Com a saída de Bovino, as operações do ICE em Minnesota teriam passado a ser supervisionadas por Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”. A mudança ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o governo Trump após a morte de cidadãos americanos durante ações do ICE em Minneapolis.

Entre os casos citados estão o da poetisa Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada na cabeça durante uma blitz, e o do enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos, morto após ser atingido por dez disparos em uma abordagem policial. Bovino havia sido um dos primeiros a se manifestar sobre o caso Pretti, alegando que a vítima pretendia “massacrar os policiais”.

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