Lideranças de partidos do Centrão ouvidas pela CNN Brasil ao longo desta quinta-feira (29) avaliam como um blefe a decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de lançar três pré-candidaturas à Presidência da República. Nos bastidores, foi descartada qualquer possibilidade de apoio tanto a esses nomes quanto a uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo interlocutores de siglas como PP, União Brasil e Republicanos, já há uma leitura consolidada de que o movimento de Kassab faz parte de uma estratégia indireta para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permitindo que essas legendas se posicionem desde já para negociar mais espaço político em um eventual quarto mandato petista.
Uma liderança graduada do grupo, ao ser questionada sobre a chance de apoiar um dos três pré-candidatos do PSD — Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior — respondeu de forma irônica que seria “mais fácil apoiar o Maduro”. A fala expõe a indisposição do centro político com Kassab, visto por esses partidos como desleal na disputa pelo mesmo espaço eleitoral.
A CNN Brasil procurou Kassab para comentar as críticas, mas não houve manifestação até o fechamento da reportagem.
Para dirigentes do Centrão, o lançamento simultâneo de três pré-candidaturas enfraquece o próprio PSD, já que, na prática, “quem tem três pré-candidatos não tem nenhum”. A avaliação é de que insistir nesse movimento pode resultar em perda de bancada na Câmara e no Senado na próxima legislatura.
Outro fator de desgaste citado é o constrangimento regional, especialmente em estados onde lideranças do PSD pretendem apoiar Lula, como é o caso da governadora Raquel Lyra, em Pernambuco, o que dificulta uma posição nacional unificada do partido.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que Kassab pretende, ao final, retirar os três nomes da disputa presidencial, lançar essas lideranças ao Senado e negociar uma neutralidade formal que, na prática, beneficie Lula, já que o Planalto prefere enfrentar Flávio Bolsonaro a outros nomes da direita ou do centro.
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Diante disso, os partidos do Centrão afirmam que vão se antecipar ao movimento, adotando uma estratégia de não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência, liberando as bases estaduais para alianças locais e, assim, maximizando suas chances eleitorais no Legislativo.
Essa postura também se estende à rejeição a Flávio Bolsonaro, visto como um nome “refém da agenda bolsonarista”, da qual essas legendas buscam se afastar.
A estratégia parte do pressuposto de que Lula é, hoje, o favorito na disputa presidencial — avaliação que também é compartilhada pelo Palácio do Planalto, que tem defendido justamente a neutralidade formal do Centrão.
Mesmo um apoio informal ao presidente poderia garantir aos partidos manutenção ou ampliação de ministérios e respaldo para a disputa das presidências da Câmara e do Senado em um novo governo petista. A leitura dominante é de que, nos últimos anos, o centro de poder migrou do Executivo para o Legislativo, tornando mais vantajoso fortalecer bancadas do que apostar em candidaturas nacionais sem viabilidade.
O cenário só mudaria, segundo essas lideranças, se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aceitasse disputar o Planalto. Ele é visto como o único nome capaz de unificar o Centrão, mas cresce a convicção de que Tarcísio priorizará a reeleição no estado.






