O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou, por meio de análises técnicas, as espécies envolvidas nos graves incidentes registrados recentemente na Região Metropolitana do Recife. De acordo com os especialistas, o ataque que vitimou a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, na praia de Boa Viagem, foi protagonizado por um tubarão-tigre. Já a agressão sofrida pelo menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, foi atribuída a um tubarão da espécie cabeça-chata.
A identificação foi realizada pela pesquisadora Mariana Rêgo, vinculada ao Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A metodologia utilizada baseou-se na análise das características das lesões das vítimas e no padrão da dentição peculiar de cada animal. Enquanto o tubarão-tigre possui dentes largos e serrilhados, adequados para um hábito alimentar generalista, o cabeça-chata apresenta dentes pontiagudos que facilitam a predação em águas rasas, onde costuma ser mais territorialista e robusto.
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Especialistas reforçam que fatores ambientais, como a maré alta, o período de chuvas e a turbidez da água, aumentam significativamente os riscos de incidentes. O tubarão, sendo um predador estrategista, pode confundir banhistas com presas naturais em condições de visibilidade reduzida. A secretária executiva do Cemit, Danise Alves, destacou que o período de lua cheia intensifica a agitação do mar, atraindo essas espécies para áreas mais próximas à costa em busca de alimento.
Diante da recorrência desses episódios, as autoridades de saúde e segurança pública reiteram a importância vital de respeitar a sinalização de proibição de banho em áreas críticas. Tanto Marcela quanto o menino João Lucas permanecem sob cuidados médicos intensivos no Hospital da Restauração. O cenário atual, caracterizado pelo inverno no litoral pernambucano, exige redobrada atenção dos banhistas, sendo recomendado evitar o mar em trechos sem barreiras de corais e durante horários de sol baixo, períodos em que esses animais costumam apresentar maior atividade predatória.






