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CCJ do Senado adia votação de PEC que confere autonomia orçamentária ao Banco Central

Por Redação Arcoverde Agora
CCJ do Senado adia votação de PEC que confere autonomia orçamentária ao Banco Central

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal optou, nesta quarta-feira (20), pelo adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece autonomia financeira e orçamentária para o Banco Central (BC). O movimento foi motivado por um pedido de vistas coletivas, o que estende o debate sobre uma das pautas mais sensíveis e discutidas no cenário econômico brasileiro recente. A proposta, que tramita no Legislativo desde 2023, propõe uma reestruturação profunda no modelo de gestão da autarquia, retirando-a da órbita direta do Orçamento da União.

Na prática, a aprovação dessa matéria transformaria o Banco Central em uma entidade pública de natureza especial, completamente desvinculada de qualquer ministério ou órgão da administração direta. O texto da proposta enfatiza que o BC passaria a deter autonomia não apenas técnica e operacional, mas também administrativa e financeira, reforçando seu papel como autoridade monetária dotada de poder de polícia, o que inclui competências de regulação, supervisão e resolução de instituições financeiras. Com a desvinculação, a autarquia deixaria de estar submetida às rígidas regras do arcabouço fiscal do governo federal, permitindo uma gestão própria de despesas com pessoal e investimentos estratégicos.

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O debate, contudo, é cercado de cautela. Parlamentares e especialistas questionam os limites desse poder e os mecanismos de controle sobre a execução orçamentária. Conforme o texto atual, embora ganhe autonomia, a peça orçamentária do Banco Central precisaria passar pelo crivo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e seria submetida à análise de uma comissão temática no Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Além disso, a proposta impõe uma regra de austeridade: o limite de despesas do órgão não poderia superar o valor executado no ano anterior, corrigido estritamente pelo índice de inflação, evitando expansões descontroladas de gastos.

O adiamento da votação também ocorre em um momento em que a gestão de Gabriel Galípolo à frente da autarquia é alvo de cobranças por parte de parlamentares, especialmente no que tange à fiscalização do sistema financeiro. O caso envolvendo empresas ligadas à Entrepay, que resultou em liquidação extrajudicial decretada pelo BC, é um exemplo recente que ilustra a necessidade de vigilância constante sobre as atividades da instituição. A expectativa é que, com o retorno da pauta à CCJ, os senadores busquem um consenso que concilie a autonomia institucional necessária para o combate à inflação com os mecanismos indispensáveis de transparência e controle público.

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