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CCJ da Câmara adia votação de PECs que propõem redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais

Por Redação Arcoverde Agora
CCJ da Câmara adia votação de PECs que propõem redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta quarta-feira (15), a votação de propostas de emenda à Constituição (PECs) que visam à redução da jornada semanal de trabalho no Brasil. O deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator das matérias, apresentou um relatório favorável à admissibilidade das propostas, que agora aguardam análise mais aprofundada após pedido de vista do deputado Lucas Redecker (PSD-RS).

As PECs em questão tratam de diferentes prazos e formatos para a redução da jornada. Uma delas, proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), sugere a diminuição para quatro dias por semana, com um período de 360 dias para sua implementação. Outra, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, propõe a redução para 36 horas semanais, com um cronograma de dez anos para a entrada em vigor da nova norma. É importante ressaltar que a discussão na CCJ se concentra na compatibilidade das propostas com a Constituição, ou seja, na sua admissibilidade, e não no mérito de seus conteúdos.

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O relatório de Paulo Azi, ao analisar a admissibilidade das PECs, fez importantes recomendações para o debate posterior sobre o mérito das propostas. Entre elas, destaca-se a sugestão de uma regra de transição progressiva para a adaptação do setor produtivo às novas jornadas de trabalho. O relator citou exemplos internacionais, como os de Chile, Colômbia e México, onde reformas semelhantes foram implementadas gradualmente, considerando o porte das empresas e utilizando cronogramas escalonados de redução. Azi enfatizou a necessidade de compatibilizar a efetividade da reforma com a capacidade de absorção dos diferentes setores econômicos.

Outra sugestão relevante apresentada por Paulo Azi é a consideração de compensações fiscais para as empresas. Com a possibilidade de aumento nos gastos com pessoal decorrente da redução da jornada, o relator propõe a redução de tributos, especialmente sobre a folha de pagamentos. Essa medida, já adotada por alguns países europeus, poderia mitigar os riscos para o setor produtivo. Azi recomendou que a comissão especial investigue cuidadosamente essas medidas de compensação fiscal europeias para avaliar sua possível adaptação ao contexto brasileiro.

Caso as PECs sejam aprovadas nas Comissões e nos plenários da Câmara e do Senado, e posteriormente promulgadas, o país poderá instituir a escala 4x3, com a jornada de trabalho reduzida de 44 para 36 horas semanais. A proposta do governo Lula, que prevê a redução para 40 horas semanais e a adoção da escala 5x2, segue um caminho distinto, tendo sido apresentada como projeto de lei. A admissibilidade das PECs na CCJ é apenas o primeiro passo de um longo processo legislativo que envolve ainda a análise em comissão especial e votações nos plenários de ambas as casas do Congresso Nacional.

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