O caso de uma mulher de 62 anos resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão em um condomínio de luxo, no município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, segue repercutindo intensamente. A trabalhadora, que dedicou 55 anos de sua vida ao núcleo familiar sem jamais ter recebido um salário, teve sua história de privações e isolamento revelada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT). Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), da Prefeitura de Fortaleza, deu início ao processo de exoneração de Zaamarah Alencar Brasil Andrade, servidora pública que figura entre os empregadores da vítima.
As investigações apontam que a vítima, que começou a prestar serviços para a família ainda criança, vivia em uma condição de total dependência econômica e social, sem acesso à educação, conta bancária ou vida fora do ambiente doméstico. O resgate, ocorrido no dia 24 de junho, expôs a realidade cruel de uma rotina que começava às 4h30 da manhã. Além da medida administrativa tomada pela prefeitura, a situação impacta diretamente outros profissionais da família, incluindo um advogado e um professor universitário, cujas instituições de origem, como a OAB-CE e a Uece, já se manifestaram garantindo a apuração rigorosa de eventuais faltas disciplinares e éticas, respeitando sempre o contraditório e a ampla defesa.
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Como forma de reparação mínima, os empregadores firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre as obrigações assumidas, destacam-se a regularização dos recolhimentos previdenciários, o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a aquisição de um imóvel residencial para a trabalhadora, no valor mínimo de R$ 150 mil. Vale ressaltar que, embora o TAC tenha sido estabelecido, o Ministério Público ressalta que as medidas não esgotam a possibilidade de cobranças judiciais adicionais e indenizações cabíveis diante da extensão da violação aos direitos humanos sofrida pela mulher durante mais de cinco décadas.
Em contrapartida, a defesa da família nega as acusações de trabalho escravo, afirmando que a relação era pautada pelo afeto e cuidado. Em nota oficial, os empregadores sustentam que a trabalhadora recebia suporte, plano de saúde e que o caso está sendo tratado com serenidade junto às autoridades competentes. Enquanto isso, o Centro de Referência em Direitos Humanos do Ceará trabalha no delicado processo de ressocialização da vítima, buscando restabelecer vínculos familiares que foram rompidos na infância, um desafio que as autoridades reconhecem ser de longo prazo dada a extensão do dano psicológico sofrido.






