No interior do Espírito Santo, especificamente na localidade de Vila Nova do Ribeirão, em Alfredo Chaves, uma receita centenária tem desafiado o tempo e conquistado paladares com seu sabor singular. O carrapito, um doce artesanal elaborado a partir da combinação de caldo de cana-de-açúcar, mamão verde e um toque marcante de gengibre, é mais do que uma iguaria gastronômica; trata-se de um patrimônio cultural preservado pela família Bravim. A produção, que exige paciência e dedicação extrema, tornou-se um símbolo de identidade regional, evocando memórias afetivas de gerações passadas que, historicamente, faziam da culinária um ponto de encontro familiar.
A trajetória do doce, que atravessou décadas sendo apenas uma prática doméstica, ganhou novos contornos em 2018 com a profissionalização do processo. Sob a orientação de Adevaldo Valentin Bravim e Rosana Javarini Bravim, a pequena fábrica familiar passou por adequações exigidas pela Vigilância Sanitária, sem, contudo, perder a essência do preparo manual. A rotina de trabalho é árdua: a preparação inicia-se na colheita dos ingredientes e segue com um processo de cozimento rigoroso, onde o caldo de cana ferve por horas antes de receber o mamão, exigindo atenção constante no tacho para atingir o ponto ideal que garante a textura e a qualidade característica do carrapito.
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Atualmente, a família Bravim atua como a única produtora da região, enfrentando o desafio de uma demanda que frequentemente supera a capacidade produtiva da propriedade. Com cerca de 300 bandejas produzidas por semana, o doce já rompeu fronteiras geográficas, chegando a ser levado para o exterior e enviado para diferentes estados brasileiros. Essa alta procura é um reflexo não apenas da qualidade do produto, mas da valorização de alimentos que carregam história. Para Rosana Bravim, o segredo vai além dos ingredientes: a dedicação e o amor envolvidos em cada etapa da produção são os elementos que tornam o carrapito um produto inigualável no mercado.
Apesar da escassez de mão de obra e da natureza trabalhosa da receita, os produtores mantêm vivo o desejo de perpetuar essa tradição. Em um mundo cada vez mais industrializado, o esforço da família Bravim serve como um lembrete da importância de preservar técnicas ancestrais. Rosana destaca que não guarda segredos sobre o método, incentivando o aprendizado por novos interessados, acreditando que a valorização dos modos artesanais de fazer gastronomia é fundamental para que o legado cultural não se perca no esquecimento, garantindo que o carrapito continue a ser um doce que atravessa gerações com o mesmo sabor e carinho de antigamente.






