A sessão da Câmara Municipal de Arcoverde, realizada recentemente, transformou-se em um cenário de profundo descontrole, evidenciando fragilidades críticas na condução dos trabalhos legislativos pela mesa diretora. O que deveria ser um espaço de deliberação institucional sobre temas relevantes para a população arcoverdense acabou se tornando palco de um espetáculo de ofensas e desordem, expondo a fragilidade do comando da Casa diante de situações de tensão política. O cerne da polêmica envolvia o processo de cassação do ex-vereador Claudelino Costa, matéria que já carecia de objeto jurídico dado a sua renúncia, mas que, por decisão da presidência, permaneceu em pauta, servindo apenas como combustível para o acirramento de ânimos.
O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando o advogado Eldy Magalhães, ao utilizar a tribuna, desviou-se da técnica jurídica para proferir ataques direcionados à vereadora Célia Galindo. A parlamentar, que não estava presente fisicamente no plenário, foi alvo de falas consideradas desrespeitosas por diversos setores da sociedade e pelos próprios pares. A permissividade do presidente da Câmara, Luciano Pacheco, que assistiu à escalada do discurso sem intervir para garantir o decoro parlamentar, gerou uma onda de críticas, sendo interpretada por observadores políticos locais como um sinal de complacência inaceitável com o uso indevido do espaço democrático.
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A reação imediata de parlamentares como o ex-vice-prefeito Israel Rubis, somada à defesa veemente de Célia Galindo — que se manifestou por telefone com o apoio do vereador João Taxista — apenas confirmou o esvaziamento institucional da sessão. O ambiente de confronto sistemático impediu qualquer avanço em pautas essenciais para o município, deixando transparecer que a manutenção do debate sobre a cassação servia a propósitos que transcendiam a formalidade legal, possivelmente servindo para desviar o foco de outras discussões sensíveis que atingiriam a gestão da Mesa Diretora.
O encerramento abrupto da reunião, sem qualquer votação conclusiva, consolidou a imagem de uma Câmara incapaz de gerir seus próprios conflitos. O saldo final deixa a população de Arcoverde com uma sensação de descrédito, uma vez que o Legislativo deveria ser a arena do debate civilizado, e não o ringue de desavenças pessoais. A pergunta que permanece no ar é como a presidência da Casa pretende restabelecer a ordem e garantir que a tribuna — um dos pilares mais sagrados da democracia — volte a ser um ambiente de respeito mútuo e foco nos interesses coletivos da cidade. O descaso com os ritos parlamentares vistos nesta sessão impõe um chamado urgente por transparência e responsabilidade aos representantes eleitos pelo povo.






