A caminhada convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em protesto à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro completou, neste sábado (24), seis dias de percurso, em meio a alertas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre riscos à segurança e a relatos de ferimentos por parte dos participantes.
Divulgado nas redes sociais, o trajeto tem cerca de 240 quilômetros, com início no município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, e previsão de término em Brasília. O deputado iniciou a marcha na segunda-feira (19), vestindo calça jeans, camisa branca e tênis esportivo.
Ao longo do percurso, outros parlamentares e apoiadores aderiram ao ato, entre eles os deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Carlos Jordy (PL-RJ), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL-SP) e o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Em recuperação de uma cirurgia nos joelhos, o senador Magno Malta (PL-ES) também participou, utilizando uma cadeira de rodas.
Alerta da PRF
A mobilização levou a PRF a emitir um alerta formal ao gabinete do deputado. Em nota enviada à imprensa na sexta-feira (23), o órgão informou que notificou oficialmente o parlamentar sobre os riscos operacionais identificados durante o deslocamento pela BR-040, rodovia federal utilizada na caminhada.
Segundo a PRF, foi encaminhado um ofício destacando a necessidade de adoção de medidas para mitigação de riscos à segurança, ressaltando a responsabilidade do organizador do ato. A assessoria de Nikolas Ferreira informou que recebeu um e-mail no qual a corporação se colocou à disposição para atuar na segurança dos participantes e afirmou manter contato com autoridades do Distrito Federal.
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Pedido de interrupção e críticas
Paralelamente, parlamentares da base governista anunciaram ter solicitado a interrupção da caminhada. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o deputado Rogério Correia (PT-MG) alegaram irregularidades no deslocamento pelo acostamento da rodovia e denunciaram o uso de aeronaves próximas à via.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a circulação de pedestres em determinados trechos da BR seria proibida e classificou a situação como irregular.
Ferimentos e desgaste físico
Durante o trajeto, participantes relataram lesões e dificuldades físicas. O próprio Nikolas Ferreira publicou imagens mostrando os pés inchados, feridos e com bolhas, além de registros de apoiadores utilizando banheiras de gelo para aliviar dores musculares.
O vereador Fernando Holiday (PL-SP) relatou ter sofrido uma lesão no joelho e afirmou ter recebido atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE) também relataram ferimentos nos pés e a necessidade de interromper a caminhada para tratamento.
Reações políticas e provocação
A mobilização gerou repercussão e ironias por parte de parlamentares alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rogério Correia classificou a marcha como uma “encenação”, enquanto a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) afirmou que o ato demonstra falta de dedicação ao mandato parlamentar. O vereador Pedro Rousseff (PT-MG) disse que a manifestação busca defender criminosos.
Durante o percurso, também houve uma provocação musical. Um militante ligado ao PT, conhecido como Fabiano “TromPetista”, apareceu no trajeto tocando berrante e trompete, publicando o episódio nas redes sociais com a frase: “Cuidado! Tem gado solto na pista”.






