A Câmara dos Deputados aprovou, em uma votação marcada por intensas movimentações políticas e manobras regimentais, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da atual escala de trabalho 6x1. O texto principal, articulado entre a cúpula da Casa, líderes do Centrão e o Governo Federal, propõe uma mudança estrutural nas relações trabalhistas brasileiras, prevendo a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, com um período de transição de um ano, além da implementação da escala 5x2, onde o trabalhador cumpre cinco dias de labuta com dois dias de descanso.
Para viabilizar a aprovação sem alterações profundas que pudessem descaracterizar o acordo firmado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou uma estratégia regimental para impedir a votação de destaques no plenário. Esses destaques, que consistiam em sugestões de mudança no texto-base, visavam, entre outros pontos defendidos pela oposição, uma jornada ainda mais reduzida, de quatro dias trabalhados por três de folga (4x3). A manobra envolveu a votação de uma emenda aglutinativa apresentada pelo líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), que, apesar de manter o teor do relatório original do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), inviabilizou a tramitação dos destaques contrários.
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O clima nos bastidores foi de tensão, com trocas de acusações entre governo e o Partido Liberal (PL). Enquanto parlamentares governistas classificaram a insistência do PL em propor mudanças mais radicais como uma manobra eleitoreira para constranger o governo, a oposição defendeu a flexibilização total da jornada. A manobra regimental aplicada por Hugo Motta gerou divergências entre técnicos legislativos: enquanto parte dos especialistas alerta para a criação de um precedente perigoso que pode restringir o debate democrático em futuras PECs, outros argumentam que a medida, embora incomum, encontra respaldo em práticas parlamentares passadas.
Além do plenário, o cenário de disputa também esteve presente na comissão especial, onde o governo conseguiu evitar que a oposição impusesse votações nominais estratégicas. O resultado final, garantido sem a redução de salários para os trabalhadores, representa uma vitória significativa para a articulação governista, mantendo a integridade do texto que prevê a transição escalonada para o novo formato de jornada. A medida agora segue os trâmites necessários antes de passar pelas etapas subsequentes do processo legislativo federal.






