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Câmara dos Deputados aprova em 1º turno PEC que amplia imunidade tributária para igrejas

Por Redação Arcoverde Agora
Câmara dos Deputados aprova em 1º turno PEC que amplia imunidade tributária para igrejas

A Câmara dos Deputados avançou, nesta quinta-feira (28), na aprovação em primeiro turno de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o cenário fiscal brasileiro ao ampliar significativamente a imunidade tributária concedida a igrejas e templos de qualquer culto. A medida, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), visa desonerar a aquisição de bens e serviços considerados essenciais para a implantação, manutenção e o pleno funcionamento dessas instituições, indo além da imunidade já consolidada sobre patrimônio e renda. O texto segue agora para a segunda votação na Casa, antes de ser enviado para análise do Senado Federal.

Na prática, a PEC permite que materiais de construção, itens de consumo e equipamentos utilizados no dia a dia religioso sejam adquiridos sem a incidência de impostos federais, estaduais e municipais. De acordo com os defensores da medida, a iniciativa busca conferir eficácia à imunidade constitucional, garantindo que as atividades finalísticas das entidades não sejam oneradas pela carga tributária incidente sobre o consumo. Contudo, a votação ocorreu em um plenário esvaziado, refletindo a polarização sobre o tema, que foi retomado após meses de interrupção motivada por instabilidades no cenário político nacional.

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O debate sobre a matéria foi marcado por intensas críticas da oposição, composta pelas bancadas do PT, PCdoB, PV, Psol e Rede. Parlamentares contrários ao texto argumentam que a ampliação da imunidade sem mecanismos rigorosos de fiscalização pode abrir precedentes perigosos, incluindo riscos de lavagem de dinheiro e a criação de privilégios injustificados para o setor religioso. Para esses críticos, a extensão da isenção pode impactar as alíquotas de referência para o restante da população e ferir a isonomia tributária. A deputada Erika Kokay (PT-DF), por exemplo, destacou que a ausência de limites claros para o que constitui "necessidade" poderia permitir a compra de veículos de luxo e aeronaves sob o manto da imunidade tributária.

O relator da proposta, deputado Fernando Máximo (PL-RO), contudo, defende que a medida corrige distorções e reconhece o papel social inestimável desempenhado por igrejas, creches, asilos e comunidades terapêuticas. Com um impacto estimado em R$ 1 bilhão anuais aos cofres públicos, o texto final da PEC, embora tenha passado por negociações para excluir trechos que previam cashback generalizado, ainda encontra resistência significativa. O embate político sinaliza que a tramitação no Senado deverá ser tão acirrada quanto foi na Câmara, mantendo sob vigilância a aplicação dos recursos públicos e a transparência das entidades beneficiadas.

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