O pré-candidato à Presidência da República e atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), protagonizou críticas contundentes à atual política econômica brasileira durante sua participação no VEJA Fórum Rumos do Brasil, realizado nesta segunda-feira (15), em São Paulo. O político aproveitou o espaço para questionar duramente a taxa básica de juros (Selic) e a estrutura do programa Desenrola, iniciativa governamental voltada para a renegociação de dívidas das famílias brasileiras.
Durante sua fala, Caiado utilizou termos fortes ao classificar os juros praticados no país como compatíveis aos de “agiotas”. Segundo o pré-candidato, existe uma contradição flagrante na condução da economia nacional: o governo teria, primeiramente, incentivado a população ao consumo e ao crédito para, na sequência, permitir que os juros atingissem patamares que inviabilizam o pagamento dessas dívidas. “Para eu precisar desenrolar alguém, alguém teve que enrolar. Quem é que enrolou a população?”, questionou durante o painel.
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O foco do discurso recaiu sobre o impacto do programa Desenrola, que, embora tenha atingido números expressivos, é visto por Caiado como um paliativo para um problema estrutural criado pela própria gestão federal. De acordo com dados oficiais divulgados em junho, o programa atingiu a marca de R$ 20 bilhões em dívidas renegociadas, beneficiando 1,4 milhão de pessoas com descontos significativos. O governo destaca que as renegociações visam facilitar a vida do cidadão que caiu no rotativo do cartão de crédito ou cheque especial, permitindo uma organização financeira a longo prazo.
Contudo, a oposição representada por Caiado argumenta que o governo resolve o problema do endividamento utilizando a poupança do próprio brasileiro, em uma dinâmica que ele considera pouco sustentável. “Eu vou liberar sua poupança para você pagar o agiota”, ironizou o pré-candidato, defendendo uma mudança profunda nas políticas de crédito e produção do país. Enquanto o embate político se intensifica, o mercado financeiro segue observando os reflexos dessas declarações no cenário de incerteza econômica que ainda desafia o planejamento orçamentário de milhões de famílias brasileiras em todo o território nacional.






