Em um movimento estratégico que altera significativamente o cenário do setor petroquímico brasileiro, a Novonor, antiga Odebrecht, formalizou nesta segunda-feira (20) a venda do controle acionário da Braskem. O contrato estabelece a transferência da participação para o Fundo de Investimento em Participações (FIP) Shine I, assessorado pela gestora de investimentos IG4 Capital. A operação compreende cerca de 50,1% das ações ordinárias e aproximadamente 34,3% do capital social total da companhia, consolidando uma mudança estrutural aguardada pelo mercado financeiro há anos.
O acordo determina que o FIP deve protocolar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro de oferta pública para a aquisição da totalidade das ações em circulação. Esta transação ocorre após um período de negociações exclusivas iniciadas em dezembro, onde a IG4 Capital emergiu como a parceira fundamental para a reestruturação da empresa. Com a finalização deste processo, a gestora passará a dividir o controle da gigante petroquímica com a Petrobras, atual segunda maior acionista da organização.
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A entrada do novo controlador é recebida com expectativas otimistas por analistas, especialmente diante dos desafios operacionais e financeiros enfrentados pela companhia. A Braskem lida atualmente com margens de lucro pressionadas no mercado global de produtos petroquímicos e necessita equacionar passivos relevantes, incluindo as reparações decorrentes dos danos causados pela mineração de sal em Maceió. O volume da operação, estimado em R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações, reflete a complexidade da gestão desse passivo, herdado de um período conturbado da história da Novonor.
Para a Novonor, a concretização desta venda é um passo decisivo para aliviar o peso de sua dívida, que cresceu exponencialmente na última década, particularmente após os desdobramentos da Operação Lava Jato. A tentativa de alienação da Braskem vinha sendo o principal objetivo da controladora, que utilizou estas ações como garantia em diversos empréstimos bilionários. Com o novo arranjo acionário, espera-se que a Braskem ganhe mais fôlego financeiro e estabilidade de governança para focar em suas operações produtivas, incluindo as unidades estratégicas localizadas em polos industriais de extrema importância para o desenvolvimento econômico regional e nacional.






