O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta quinta-feira (12), um balanço contundente sobre o combate ao trabalho infantil no Brasil. Segundo os dados oficiais, mais de 4,3 mil crianças e adolescentes foram retirados de atividades laborais irregulares ao longo de 2025. Este número é o resultado de 10.234 ações de fiscalização executadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, marcando o desempenho mais expressivo registrado na última década no enfrentamento a essa violação de direitos fundamentais.
Os dados revelam uma face preocupante da realidade nacional: mais de 70% das crianças e jovens encontrados em situação de exploração estavam submetidos às chamadas "piores formas de trabalho infantil". Essa categoria abrange atividades que impõem riscos severos à saúde, à integridade física, à moralidade e ao desenvolvimento psicológico dos envolvidos. O setor de comércio varejista, serviços de alimentação, oficinas mecânicas e indústrias concentraram a maior parte das autuações, reafirmando que o problema persiste tanto em polos urbanos quanto em zonas rurais, exigindo uma presença constante do Estado na fiscalização.
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A tendência de combate rigoroso manteve-se no início de 2026. Entre janeiro e abril, a Inspeção do Trabalho realizou 2.901 ações que resultaram no afastamento de 1.108 menores, com um agravante: o percentual de casos enquadrados nas piores formas de exploração subiu para 76,99%. Estados como Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo continuam apresentando números elevados, o que mobiliza a rede de proteção social, conselhos tutelares e órgãos parceiros a fortalecerem a busca ativa e a reintegração dessas crianças no sistema de ensino e de assistência.
Segundo Roberto Padilha Guimarães, coordenador da Secretaria de Inspeção do Trabalho, a estratégia não se limita à retirada do menor do local de trabalho, mas foca na interrupção do ciclo de vulnerabilidade. A meta governamental é assegurar que o direito ao lazer, à educação e à convivência familiar seja, de fato, garantido. Para cidadãos que desejam auxiliar neste combate, denúncias podem ser feitas de forma sigilosa através do Sistema Ipê Trabalho Infantil, uma ferramenta essencial para que a sociedade civil colabore com a fiscalização e a proteção da infância brasileira.






