Em uma medida estratégica para salvaguardar a relevância econômica e industrial de suas cadeias automotivas, representantes do Brasil e da Argentina formalizaram, durante a feira Automechanika em Buenos Aires, a chamada "Declaração de Buenos Aires". O documento representa um esforço conjunto das entidades Anfavea e Sindipeças, pelo lado brasileiro, e Adefa e Afac, pelo lado argentino, para estabelecer uma agenda integrada que visa aumentar a competitividade regional. Este movimento ocorre em um cenário de transformação tecnológica profunda e pressão comercial crescente, especialmente após a entrada acelerada de fabricantes de veículos chineses nos mercados sul-americanos.
O acordo propõe uma mudança de paradigma: o objetivo é migrar de um modelo focado estritamente na administração comercial para uma estratégia robusta voltada à produção industrial e à exportação. Considerado um setor vital, a indústria automotiva é responsável por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e 8,4% do argentino, sustentando em conjunto mais de 1,9 milhão de empregos diretos e indiretos, o que torna a cooperação entre os dois países essencial para a estabilidade econômica de ambos os governos.
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Entre os pilares da declaração, destacam-se a especialização produtiva e a complementação industrial, visando fortalecer as cadeias de valor regionais através de investimentos equilibrados e sustentáveis. A agenda técnica prevê, ainda, a coordenação de políticas para o desenvolvimento de tecnologias de ponta, com foco especial em sistemas de propulsão híbrida e elétrica, além da padronização de regulamentos técnicos para o mercado de autopeças. A eficiência logística também foi contemplada, com a promessa de desburocratização dos processos aduaneiros, essencial para reduzir custos operacionais.
A urgência do pacto é impulsionada pela concorrência das marcas chinesas, que têm impactado a dinâmica de preços e a participação de mercado dos fabricantes tradicionais estabelecidos no Mercosul. Desde 2025, o setor tem solicitado ao governo federal medidas de proteção à indústria nacional, como a taxação de importações. Com a expectativa de que novas diretrizes regulatórias sejam consolidadas antes de 2029, as entidades buscam criar um ambiente de negócios mais previsível e protegido contra oscilações externas, reforçando a soberania industrial regional frente ao cenário internacional.






