A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitando autorização para que o político receba a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil. Atualmente, Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de reclusão na Penitenciária da Papuda, em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado, situação que impõe rigorosas restrições a qualquer interação externa.
Como relator do processo que culminou na prisão do ex-mandatário, cabe exclusivamente ao ministro Alexandre de Moraes avaliar e autorizar, de forma excepcional, qualquer visita que não siga os protocolos padrão estabelecidos pela unidade prisional. A solicitação da defesa destaca a intenção de agendar a reunião para os dias 16 ou 17 de março, período em que Beattie estará em solo brasileiro para compromissos oficiais, incluindo um evento sobre minerais críticos em São Paulo.
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Darren Beattie, nomeado recentemente para o Departamento de Estado dos Estados Unidos, é reconhecido por suas posições de extrema-direita e por críticas contundentes à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, especificamente, à atuação de Alexandre de Moraes. Em diversas ocasiões, Beattie classificou o magistrado brasileiro como um dos principais responsáveis pelo que ele denomina como “censura e perseguição política” contra aliados de Trump no Brasil. A figura de Beattie é marcada por polêmicas passadas, incluindo sua demissão da Casa Branca em 2018 após episódios envolvendo nacionalistas brancos e declarações controversas sobre questões raciais e de gênero.
O contexto diplomático desta solicitação é complexo, ocorrendo em um momento em que Washington discute a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, uma pauta que gera tensões com o atual governo brasileiro. Para os analistas, a tentativa de visita reforça a estreita relação entre o núcleo bolsonarista e a ala radical do Partido Republicano nos EUA. Enquanto a defesa aguarda a decisão de Moraes, o caso reafirma a centralidade da disputa jurídica e diplomática envolvendo o Supremo Tribunal Federal e as figuras políticas que buscam apoio internacional diante das condenações impostas pela justiça brasileira.






