O bilionário e cofundador da Microsoft, Bill Gates, prestou um depoimento crucial nesta quarta-feira (10) perante o Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A audiência faz parte de uma investigação aprofundada do Congresso sobre como as autoridades federais conduziram o caso envolvendo o falecido financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Gates foi questionado sobre a natureza de suas interações com Epstein e sobre a extensão de seu conhecimento acerca das atividades ilícitas do criminoso durante o período em que mantiveram contatos.
Em sua declaração, Gates enfatizou que, na época de seus encontros, não possuía uma compreensão real da gravidade dos crimes cometidos por Epstein. O empresário alegou que sua intenção, ao aproximar-se do financista, era estritamente ligada à captação de recursos para iniciativas filantrópicas. Gates declarou categoricamente que nunca testemunhou qualquer comportamento criminoso por parte de Epstein, mas revelou um detalhe sensível sobre o relacionamento: o financista teria tentado chantageá-lo utilizando informações sobre casos extraconjugais do bilionário. Segundo Gates, a estratégia de Epstein visava forçá-lo a manter o vínculo social e profissional.
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O depoimento de Gates integra um esforço mais amplo dos legisladores americanos para identificar possíveis falhas no sistema judiciário e nas agências federais, que permitiram que indivíduos poderosos como Epstein operassem por anos. Documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça indicam que os encontros entre ambos ocorreram com frequência mesmo após a primeira condenação de Epstein em 2008. Esses registros, que incluíam fotografias de Gates ao lado de mulheres cujas identidades foram protegidas, geraram questionamentos éticos severos sobre o discernimento do filantropo.
Em resposta à repercussão do caso, a Fundação Gates iniciou uma auditoria externa para analisar todos os contatos realizados entre o empresário e o financista. Gates, por sua vez, assumiu publicamente a responsabilidade por seus atos, admitindo que manter qualquer nível de proximidade com Epstein foi um erro estratégico e moral. A investigação da Câmara, liderada pelo deputado republicano James Comer, segue em curso e busca esclarecer como Epstein conseguiu manter uma rede de influência que envolvia acadêmicos, empresários e figuras políticas de alto escalão, além de apurar a conduta de autoridades que supervisionaram as investigações originais que culminaram na morte de Epstein na prisão, ocorrida em 2019 sob circunstâncias classificadas como suicídio.






