Agricultores rurais de Barreiros, no Litoral Sul de Pernambuco, estão transformando os manguezais da região em referência sustentável de produção de mel. A atividade envolve cerca de 50 famílias, que utilizam colmeias de uma espécie africana de abelha e produzem um mel com sabor e aroma únicos, extraído das flores da Copiúba, árvore nativa da região.
A iniciativa é mantida pela Cooperativa de Trabalho Agrícola, Assistência Técnica e Serviços (Cooates), responsável por uma unidade de beneficiamento que processa duas toneladas de mel por ano. Além da geração de renda, o projeto contribui para a conservação ambiental: parte dos lucros financia um viveiro de mudas que atua no reflorestamento dos manguezais e na proteção do território contra desmatamento e ocupações irregulares.
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Pesquisa e inovação: mel do mangue vira biocosmético
A cooperativa firmou parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde pesquisadores desenvolvem estudos para criação de biocosméticos derivados do mel do mangue. Segundo o professor Luiz Soares, a pesquisa vem captando recursos desde 2022 e une sustentabilidade, ciência e saberes tradicionais.
A novidade inclui a instalação de uma fábrica de biocosméticos em um casarão próximo à área de produção. A unidade será responsável por desenvolver produtos como xampus, condicionadores, máscaras capilares e cremes de pentear.
De acordo com a pesquisadora Flávia Sales, “o mel e o própolis são excelentes componentes para cosméticos e têm tudo para funcionar muito bem em larga escala”.
Ainda segundo o professor Luiz Soares, integrantes da cooperativa vão cursar pós-graduação na UFPE para atuar diretamente na produção, controle e aperfeiçoamento dos novos cosméticos.
Proteção ambiental e desenvolvimento social
Os produtores cuidam de 200 colmeias distribuídas em manguezais próximos ao Rio Una. Para o apicultor Josías Luiz da Silva, o impacto positivo é visível:
“A qualidade de vida melhorou. Cada dia mais, a gente evolui com essa produção de mel do mangue”, afirmou.
O presidente da cooperativa, José Cláudio, reforça que o projeto alia economia e preservação:
“Preservar também é ter renda, é melhorar a qualidade de vida e pensar na geração futura.”
A iniciativa coloca Barreiros como referência em produção sustentável, inovação científica e proteção dos manguezais, fortalecendo o desenvolvimento econômico aliado ao cuidado ambiental.
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